Enquanto os quatro tripulantes da missão Artemis 2 realizavam órbita lunar nesta semana, a NASA também enviou à Lua versões microscópicas de cada um deles: quatro chips transparentes, do tamanho aproximado de um pen drive, contendo células da medula óssea dos astronautas Victor Glover, Jeremy Hansen, Christina Koch e Reid Wiseman. Os dispositivos viajaram dentro da cápsula Orion e ficaram expostos ao ambiente espacial durante a missão.

Programa Avatar e a tecnologia utilizada

O experimento integra o programa Avatar — sigla para “A Virtual Astronaut Tissue Analog Response” — e emprega a tecnologia conhecida como órgão em um chip. Nessas estruturas microfluídicas, amostras reais colhidas dos astronautas alguns meses antes do lançamento são mantidas vivas em canais que reproduzem características do tecido humano.

Donald Ingber, diretor do Instituto Wyss de Harvard e parceiro da NASA no projeto, explicou que a iniciativa busca desenvolver um sistema de “saber antes de ir”, permitindo que pesquisadores identifiquem danos celulares ou alterações genéticas nos chips antes que problemas apareçam nos próprios tripulantes.

Entre os usos previstos para os resultados estão a personalização de tratamentos de acordo com o DNA de cada astronauta, a previsão de doenças como câncer ou perda óssea antes da manifestação de sintomas em humanos e a redução do uso de modelos animais, com testes de medicamentos diretamente em células humanas no espaço.

Risco da radiação fora da proteção terrestre

A saída da proteção do campo magnético da Terra expõe os ocupantes do espaço a raios cósmicos galácticos e a partículas de erupções solares. Na superfície lunar, a radiação de albedo — reflexos do solo — aumenta a exposição, criando uma combinação mais perigosa. A medula óssea foi selecionada para este primeiro envio por ser um dos tecidos mais sensíveis à radiação.

Em declaração ao Washington Post, Nicola Fox, administradora associada da NASA, descreveu o procedimento como “uma forma sofisticada e segura de olhar para o impacto no tecido sem realizar experimentos em um sujeito humano”.

Imagem: Divulgação

Análises após o retorno

Após o pouso da cápsula Orion no Oceano Pacífico, os chips deverão ser submetidos a uma análise genética aprofundada em Boston. Os cientistas vão comparar as amostras que viajaram à Lua com um grupo de controle que permaneceu na Terra, com atenção especial aos telômeros — marcadores de envelhecimento — e a possíveis danos no DNA.

Se os resultados mostrarem precisão e utilidade, a NASA pretende avançar para sistemas de chips que reúnam múltiplos órgãos, como coração e pulmões interconectados, a fim de simular um organismo humano em pequena escala antes de missões tripuladas a Marte.

O experimento segue como parte dos esforços de monitoramento da saúde humana em voos espaciais além da órbita terrestre.

Com informações de Olhardigital