O tráfego pelo Estreito de Ormuz praticamente parou em meio à escalada do confronto entre Estados Unidos, Israel e Irã. Na terça-feira (3), foram registrados apenas dois navios graneleiros e um pequeno porta-contêineres atravessando a hidrovia — todos deixando o Golfo Pérsico, sem registros de embarcações entrando.
Interferências eletrônicas e a desativação em massa de transponders têm criado uma “névoa digital” sobre a região, dificultando o rastreamento por satélite e a monitorização do fluxo marítimo. Especialistas dizem que identificar movimentos — quando ocorrem — é essencial para medir os efeitos do conflito sobre os mercados de petróleo, gás e outras commodities.
Países do Golfo Pérsico são responsáveis por parcela significativa do fornecimento mundial de petróleo bruto, combustíveis, gás natural e insumos para fertilizantes. A maior parte da produção regional precisa passar por Ormuz, tornando o estreito um gargalo estratégico para cerca de 20% da oferta global de petróleo e gás natural liquefeito, além de metade do comércio marítimo mundial de enxofre.
O fechamento prático da rota já levou nações como o Iraque a suspender parte da produção, contribuindo para uma alta de 14% nos preços do petróleo desde o fim de semana. O gás natural atingiu níveis não vistos desde a invasão da Ucrânia pela Rússia, em 2022. A interrupção também fez com que traders de enxofre procurassem fontes alternativas para atender as indústrias de fertilizantes e o processamento de níquel.
Queda de 95%
Dados de rastreamento compilados pela Bloomberg apontam queda de mais de 95% no tráfego, com grandes petroleiros e navios de GNL evitando a rota. As poucas embarcações que ainda circulam costumam desligar os transponders de localização — prática comum em zonas de conflito.
Segundo os registros de sinais automáticos de posição (AIS), sete embarcações cruzaram a região na segunda-feira, ante mais de 100 na sexta-feira — um dia antes de Estados Unidos e Israel lançarem a Operação Epic Fury. Na terça-feira, o número caiu para três. As viagens remanescentes ocorreram majoritariamente com navios deixando o Golfo Pérsico, alguns dos quais receberam notificações de que a passagem estava proibida.
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Para tentar compensar a ausência de sinais locais, os históricos de AIS foram compilados em uma área ampla, incluindo o Golfo de Omã, o Mar da Arábia e o Mar Vermelho, na tentativa de identificar embarcações que possam ter saído ou entrado no Golfo Pérsico. Quando movimentos possíveis são detectados, os padrões de sinal são analisados para distinguir travessias reais de casos de spoofing, quando interferências eletrônicas falsificam posições aparentes.
Desde o início do conflito, esse tipo de perturbação no sistema de sinalização tornou-se comum na região, indicando a presença de uma guerra eletrônica mais ampla. Além disso, alguns petroleiros vinculados ao Irã costumam navegar sem transmitir AIS até alcançarem o Estreito de Malaca, cerca de 10 dias após passarem por Fujairah; outras embarcações podem estar adotando táticas semelhantes, permanecendo fora das telas de rastreamento por vários dias.
As autoridades de monitoramento continuam a acompanhar os sinais disponíveis para mensurar o impacto do conflito sobre o comércio de petróleo, gás e demais commodities.
Com informações de Investnews

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6