Pesquisadores da Northwestern University revelaram, em julho de 2024, que formações minerais localizadas no fundo do Oceano Pacífico produzem oxigênio de forma autônoma, sem qualquer contato com a luz solar. O achado, publicado em estudo internacional, desafia a ideia de que a zona abissal é apenas consumidora de oxigênio e sem processos de liberação do gás.

Como funciona a geração de oxigênio

O fenômeno ocorre em nódulos polimetálicos — pequenas concreções depositadas no sedimento marinho — compostas por manganês, níquel, cobalto e outros metais. Durante as medições, cientistas detectaram uma tensão elétrica de até 1,5 volts na superfície dessas rochas. Essa carga funciona como uma bateria natural, capaz de promover eletrólise da água e separar suas moléculas em hidrogênio e oxigênio de forma contínua.

Ao contrário da fotossíntese, que depende da energia solar e de organismos vivos para liberar oxigênio na superfície, esse processo submerso ocorre por reação geológica. A eletrólise mineral transforma a água em gás sem qualquer agente biológico, criando o que os pesquisadores chamam de “oxigênio sombrio”.

Implicações científicas e ambientais

Descobrir uma fonte não biológica de oxigênio profundo oferece novas perspectivas para a astrobiologia e para o estudo da evolução da vida na Terra. Até então, acreditava-se que a presença de oxigênio na atmosfera terrestre só teria se iniciado com as formas de vida fotossintetizantes. Agora, sugere-se que organismos aeróbicos poderiam ter se desenvolvido em ambientes sem luz, aproveitando o oxigênio gerado geologicamente.

O achado também levanta alerta sobre a mineração de nódulos polimetálicos, alvo de interesse para extração de metais utilizados em baterias comerciais. A remoção dessas formações pode comprometer um mecanismo natural de oxigenação que mantém o equilíbrio dos ecossistemas abissais.

Imagem: Ap

Em função desses riscos, especialistas defendem a necessidade de regulamentações mais rígidas para a exploração de recursos submarinos, de modo a preservar processos fundamentais ao meio ambiente profundo.

Com informações de Olhardigital