Pesquisadores anunciaram a descoberta de uma nova espécie de dinossauro herbívoro de pequeno porte que reconfigura a compreensão da evolução dos ornitópodes do período Cretáceo. Denominada Foskeia pelendonum, a espécie foi descrita em artigo publicado na revista Papers in Palaeontology.
Os fósseis correspondem a pelo menos cinco indivíduos e foram escavados na Formação Castrillo de la Reina, no norte da Espanha. Inicialmente, os fragmentos ósseos de reduzido tamanho levantaram dúvidas sobre pertencerem a filhotes de espécies maiores ou a adultos naturais de estatura diminuta. A equipe liderada por Paul-Émile Dieudonné, da Universidade Nacional de Río Negro, utilizou tomografia computadorizada de alta resolução para analisar internamente os ossos sem danificá-los e comprovou a maturidade sexual de ao menos um exemplar, com altura estimada em cerca de meio metro.
Reavaliação de material antigo
Em 2016, parte desses mesmos fósseis já havia sido examinada em estudo publicado no periódico PLOS One, quando sua afinidade foi apontada para o gênero Muttaburrasaurus, dinossauro australiano que media até oito metros de comprimento e pesava várias toneladas. Na época, os autores não reconheceram a nova espécie, mas destacaram a relação morfológica, chamando atenção para a grande diferença de escala entre os dois táxons.
Características anatômicas e origem do nome
Foskeia pelendonum exibe traços únicos em comparação a outros ornitópodes: o formato dos dentes, da mandíbula e a configuração das patas traseiras sugerem alto grau de especialização evolutiva. A nomenclatura homenageia os pelendonos, povo celta que habitava a região da descoberta, e pode ser traduzida como “forrageador pelendono leve”, em alusão ao hábito de busca por alimento e ao pequeno porte do animal.
Implicações para a evolução dos dinossauros
Ao contrário da tendência de gigantismo observada em várias linhagens de dinossauros, a miniaturização de Foskeia pelendonum indica caminhos evolutivos alternativos. Para Marcos Becerra, da Universidade Nacional de Córdoba, o crânio altamente especializado aponta para uma longa história evolutiva e ajuda a preencher uma lacuna de cerca de 70 milhões de anos no registro fóssil de ornitópodes.
Imagem: Divulgação
Os cientistas classificam a espécie no clado Rhabdodontomorpha e afirmam que ela representa uma das primeiras ramificações desse grupo. Evidências histológicas e morfológicas mostram que os juvenis se locomoviam em quatro patas, migrando para o bipedalismo na fase adulta, e que seu metabolismo era relativamente elevado, comparável ao de pequenos mamíferos ou aves modernas. Provavelmente, Foskeia pelendonum dependia de agilidade em florestas densas para escapar de predadores.
O estudo reforça a importância de considerar formas diminutas na paleontologia, uma vez que espécies de menor tamanho podem revelar estratégias de sobrevivência e diversificação tão significativas quanto as observadas em dinossauros de grande porte.
Com informações de Olhardigital

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6