O novo chefe da Harley-Davidson, Starrs, anunciou uma mudança na estratégia da fabricante: em vez de priorizar modelos caros destinados principalmente aos baby boomers, a empresa vai apostar em maior volume e em motos com preços mais acessíveis.

Como parte dessa mudança, a Harley vai relançar a Sportster no próximo ano. A motocicleta, que teve produção encerrada em 2022 porque seu motor refrigerado a ar não atenderia às normas ambientais europeias, foi redesenvolvida para resolver essa questão, segundo Starrs, embora ele não tenha detalhado as alterações. O modelo terá motor de 883 cilindradas e preço estimado em cerca de US$ 10 mil, alinhado com o modelo de entrada atual da marca.

A Sportster será vendida globalmente a partir do ano que vem. As unidades destinadas aos Estados Unidos serão produzidas na fábrica da Harley em York, Pensilvânia. A empresa afirmou que, quando descontinuou a Sportster, perdia cerca de US$ 2 mil por unidade; Starrs disse que esse problema também foi solucionado, sem apresentar números adicionais. Uma política comercial recente também isentou algumas peças importadas de tarifas.

Uma moto de US$ 6 mil

Além da Sportster, a Harley seguirá com a Sprint, modelo já anunciado e com preço previsto de cerca de US$ 6 mil e motor de 440 cilindradas. A Sprint deve chegar às concessionárias ainda este ano, mas o local de produção não foi definido. A empresa produz algumas motocicletas na Tailândia e mantém parceria com um fabricante na Índia.

A fabricante continuará ofertando outros modelos de entrada, como a Nightster — equipada com motor refrigerado a líquido — cuja faixa de preço foi reduzida para US$ 10 mil e teve aumento nas vendas após o ajuste.

O foco em motos de entrada representa ruptura com a estratégia do antecessor Jochen Zeitz, que priorizou modelos grandes e caros, com valores que podem ultrapassar US$ 50 mil. Embora essa abordagem tenha elevado a rentabilidade, não reverteu a queda das vendas no varejo, que vêm caindo desde o pico de 2006. A fraqueza nas vendas também afetou as ações, que chegaram a valer US$ 17 em março antes de uma leve recuperação.

Starrs também busca recompor a relação com os concessionários. Ele prevê dobrar os lucros dos revendedores neste ano e quadruplicá-los até 2029. A Sportster deverá desempenhar papel importante nesse objetivo, já que a Harley a descreve como “a tela em branco definitiva para expressão pessoal”, incentivando customização com peças e acessórios, fonte significativa de receita para as lojas.

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Comércio eletrônico

Em outra mudança, a companhia alterou sua política de comércio eletrônico: compras de camisetas, jaquetas e outros produtos feitas online deverão ser retiradas nas concessionárias, atendendo a reclamações dos revendedores sobre vendas diretas que afastavam clientes das lojas físicas.

Starrs, que se descreve como novato no mundo das motos, afirmou ter definido parte da nova visão após aulas de pilotagem no ano passado em uma concessionária no Texas, onde fez amizades e experimentou a sensação de presença ao pilotar. “Só de subir em uma moto já é muito divertido”, disse ele.





Os resultados do primeiro trimestre mostram uma recuperação ainda modesta: a empresa alcançou as expectativas de lucro por ação de Wall Street e registrou receita ligeiramente acima do esperado. As vendas no varejo na América do Norte cresceram 14% em relação ao ano anterior, parcialmente impulsionadas por descontos em modelos antigos.

A Harley mantém a meta de vender até 135 mil motocicletas neste ano; se atingir esse objetivo, será a primeira alta nas vendas em cinco anos.

Com informações de Investnews