Pesquisadores da Universidade de Warwick identificaram uma concentração de fragmentos de lixo espacial na órbita geoestacionária, localizada a cerca de 36 mil quilômetros da Terra, que pode representar risco para satélites em operação. A descoberta consta de um estudo publicado em junho no Journal of Astronautical Sciences.

O que foi encontrado e como

Uma reanálise de imagens obtidas pelo telescópio Isaac Newton, em La Palma, Ilhas Canárias, revelou rastros de detritos com aproximadamente 5 centímetros de diâmetro. A equipe aplicou novos algoritmos de processamento de imagens que permitiram detectar alvos mais fracos e menores até então não identificados.

Quem conduziu a pesquisa

O trabalho foi realizado por pesquisadores vinculados ao Centro de Consciência do Domínio Espacial da Universidade de Warwick. Entre os coautores estão Ben Cooke e James Blake, que explicaram a capacidade da técnica de combinação de imagens de realçar sinais fracos em conjuntos de dados astronômicos.

Quantificação e implicações

Os cientistas localizaram 25 rastros de detritos que não constavam em levantamentos anteriores; segundo os autores, cerca de 80% desses sinais estavam associados a objetos até então desconhecidos. A presença de partículas deste tamanho preocupa porque, na altitude geoestacionária, a atmosfera praticamente não oferece resistência, permitindo que fragmentos permaneçam por longos períodos.

James Blake destacou que a região é sensível por dificultar observações e por permitir a longevidade desses resíduos. Devido às altas velocidades relativas entre objetos em órbita, fragmentos mesmo pequenos podem causar danos significativos a satélites de grande porte.

Por que isso é relevante

A órbita geoestacionária abriga satélites usados em transmissões de televisão, comunicação via internet, observação da Terra e monitoramento meteorológico. Muitos desses satélites têm grandes dimensões, painéis solares extensos e são projetados para missões de longa duração, o que aumenta o potencial de prejuízo em caso de colisões com detritos.

Imagem: Divulgação

Próximos passos

Os pesquisadores planejam ampliar o levantamento utilizando imagens de outros telescópios espalhados pelo mundo, com o objetivo de avaliar melhor a quantidade e a distribuição desses detritos na faixa geoestacionária.

O estudo that identificou esses sinais foi publicado em junho no Journal of Astronautical Sciences.

Com informações de Olhardigital