A Nvidia firmou um acordo para assumir ativos da fabricante de chips Groq por aproximadamente US$ 20 bilhões, reforçando a posição da companhia na corrida por soluções de inteligência artificial. Trata-se da maior operação já conduzida pela empresa de Santa Clara no segmento de semicondutores, superando a compra da israelense Mellanox, concluída em 2019, que somou quase US$ 7 bilhões.

Segundo o entendimento, a Nvidia passa a deter tecnologias desenvolvidas pela Groq e integrará equipes consideradas estratégicas. A transação, porém, não envolve a aquisição da Groq como pessoa jurídica nem inclui o GroqCloud, serviço de computação em nuvem que continuará operando de forma autônoma.

Detalhes do acordo

Alex Davis, presidente-executivo do fundo Disruptive — principal investidor da Groq — confirmou a negociação. O fundo liderou, em setembro, uma rodada que levantou US$ 750 milhões para a startup, avaliando-a em cerca de US$ 6,9 bilhões. Também participaram BlackRock, Neuberger Berman, Samsung, Cisco, Altimeter e 1789 Capital.

Em comunicado publicado em seu blog, a Groq informou que concedeu à Nvidia uma licença não exclusiva para utilizar sua tecnologia de inferência. Como parte do arranjo, o fundador e CEO Jonathan Ross, o presidente Sunny Madra e outros executivos seniores migrarão para a Nvidia, onde atuarão na expansão das soluções licenciadas. A empresa permanecerá independente e será comandada por Simon Edwards, atual diretor financeiro, que assumirá o cargo de CEO.

Visão da Nvidia

Em mensagem enviada a funcionários, o CEO Jensen Huang destacou que a incorporação dos processadores de baixa latência da Groq aumentará a capacidade da arquitetura NVIDIA AI Factory, permitindo lidar com cargas de trabalho de inferência e aplicações em tempo real de forma mais eficiente. Huang reforçou que, apesar do licenciamento de propriedade intelectual e da chegada de novos talentos, “a Nvidia não está adquirindo a Groq como empresa”.

Cenário competitivo

Com mais de US$ 60 bilhões em caixa, a Nvidia intensificou o ritmo de investimentos em startups de IA, apoiando companhias como CoreWeave, Crusoe e Cohere, além de firmar parcerias bilionárias com players como OpenAI e Intel. A movimentação ocorre em meio a uma disputa acirrada no mercado de semicondutores voltados para inteligência artificial, que também mobiliza Meta, Google e Microsoft em buscas por acordos de licenciamento e contratações de especialistas.

Imagem: Divulgação

Trajetória da Groq

Fundada em 2016 por Jonathan Ross e ex-engenheiros do Google, a Groq ganhou notoriedade ao criar aceleradores focados em inferência de IA. A companhia prevê faturar aproximadamente US$ 500 milhões em 2024. Ross foi um dos responsáveis pela TPU (Tensor Processing Unit), chip desenvolvido pelo Google como alternativa às GPUs da Nvidia em determinados casos corporativos.

Do lado da Groq, a direção ressaltou que o GroqCloud seguirá operando normalmente e que a independência da empresa permitirá a evolução paralela de seus projetos, enquanto parte da tecnologia e da liderança contribuirá diretamente para os planos de expansão da Nvidia.

Com informações de N4news