O axolote, uma salamandra mexicana, chama atenção de pesquisadores por sua capacidade de regenerar órgãos e membros complexos sem deixar cicatrizes visíveis. Cientistas acreditam que estudar os mecanismos dessa regeneração pode abrir caminhos para avanços na medicina regenerativa humana. O animal é apontado como o único vertebrado capaz de restaurar membros inteiros e órgãos vitais com alta fidelidade.
Como ocorre a regeneração
Pesquisas citadas pela Harvard Magazine indicam que, após uma lesão, células maduras do axolote perdem sua identidade e retornam a um estado de progenitor. Essas células desespecializadas transformam-se em um conjunto de células-tronco pluripotentes, que formam o blastema, estrutura responsável por coordenar o crescimento do tecido perdido. O processo reproduz, em grande medida, os programas de desenvolvimento embrionário que geraram originalmente aquela parte do corpo.
No início da recuperação, uma camada epitelial cobre a ferida rapidamente para reduzir risco de infecção. Em seguida, células de nervos e de tecidos moles passam por desdiferenciação e originam o blastema. Por fim, há rediferenciação, quando o blastema organiza a formação de ossos, músculos e nervos idênticos aos perdidos.
Quais estruturas podem ser reconstruídas
O axolote demonstra plasticidade celular suficiente para reconstruir estruturas complexas de forma funcional e morfologicamente indistinguível do tecido original. Entre os exemplos observados estão:
- Coração: capaz de regenerar até 25% da perda de tecido ventricular;
- Medula espinhal e grandes porções do cérebro;
- Retinas e lentes oculares em lesões severas;
- Membros completos, incluindo ossos, nervos e articulações.
Ausência de cicatrizes e diferenças em relação a humanos
Ao contrário dos mamíferos, que formam tecido fibroso (fibrose) para fechar feridas — o que resulta em cicatrizes e perda funcional — o axolote evita a fibrose. Essa característica permite comunicação precisa entre células por sinais químicos, resultando em um novo tecido funcional e esteticamente equivalente ao original. Em termos de velocidade, a regeneração no axolote ocorre em dias ou semanas, enquanto em humanos processos de reparo podem levar meses ou anos.
Imagem: Divulgação
Genoma e aplicações médicas
O sequenciamento do genoma do axolote mostrou tratar-se de um dos maiores já descritos, com tamanho aproximado de dez vezes o genoma humano médio. Pesquisadores buscam identificar quais sequências genéticas ativam esse “modo de reconstrução” para, eventualmente, replicar sinais químicos e vias de sinalização em terapias. Embora a regeneração de membros humanos ainda não seja viável, conhecimentos derivados do axolote já contribuem para tratamentos que inibem cicatrizes e aceleram a recuperação de queimaduras e outras lesões cutâneas, além de inspirar estudos para reparar danos cardíacos após infartos.
O axolote funciona como um modelo biológico que demonstra a possibilidade, na natureza, de regeneração perfeita de estruturas complexas.
Com informações de Olhardigital

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6