Um corpo celeste que vinha sendo acompanhado por astrônomos desde 1998 foi reclassificado como um “cometa escuro” depois de apresentar sinais claros de atividade cometária. Identificado anteriormente como asteroide, o 1998 SH2 mostrou uma mudança orbital incompatível com modelos que consideravam apenas a gravidade, segundo estudo publicado na revista Nature Astronomy.

Mudança de trajetória e reidentificação

O objeto recebeu atenção especial durante sua aproximação da Terra em agosto de 2025, quando apareceu em uma posição diferente da prevista pelos cálculos gravitacionais. Observações realizadas no fim daquele mês pelo Observatório Wykrota — Southern Observatory for Near Earth Asteroids Research Wykrota-Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais, na Serra da Piedade — localizaram novamente o corpo e indicaram que ele estava 19 desvios-padrão distante da posição esperada.

Os pesquisadores interpretaram a discrepância como resultado de uma aceleração adicional, provavelmente provocada pela liberação de gases. Esse comportamento é típico de cometas, cujo gelo sublimado pelo aquecimento solar gera um impulso capaz de alterar suas órbitas. No entanto, o 1998 SH2 não exibia, a olho nu nos registros iniciais, as características visuais usuais de cometas, como coma ou cauda, o que o fazia parecer um asteroide até agora.

Imagens e confirmação da atividade

Após detectar o desvio orbital, a equipe examinou imagens profundas obtidas por telescópios no Chile e no Havaí. Nesses registros foi observada uma coma discreta e uma cauda estreita com mais de 20 segundos de arco, confirmando a presença de atividade cometária. A liberação de poeira ocorreu de forma contínua entre o fim de agosto e setembro de 2025, compatível com um processo de sublimação — passagem direta do gelo do estado sólido para o gasoso.

Entre os pontos principais levantados pelo estudo estão: o 1998 SH2 havia sido classificado como asteroide; ele apresentou aceleração não explicada apenas pela gravidade; imagens confirmaram coma e cauda; e a descoberta pode auxiliar na identificação de outros cometas escuros.

Imagem: Imagem gerada por IA

Impacto para defesa planetária e história do Sistema Solar

Os autores do trabalho afirmam que o 1998 SH2 não representa risco de impacto com a Terra no futuro próximo. Ainda assim, a existência de objetos que aparentam ser asteroides, mas exibem comportamento cometário, pode influenciar cálculos e estratégias de defesa planetária, já que composição e estrutura desses corpos afetam medidas de mitigação. O estudo também sugere que uma população antiga de cometas escuros pode ter contribuído para o transporte de água para a Terra durante a formação do planeta.

Publicado na Nature Astronomy, o trabalho reforça que observações de longo prazo continuam a revelar características inesperadas em pequenos corpos do Sistema Solar.

Com informações de Olhardigital