O Papa Leão XIV divulgou nesta segunda-feira, 25 de maio de 2026, sua primeira encíclica, intitulada “Magnifica Humanitas” (Magnífica Humanidade). O documento de 105 páginas, apresentado no Vaticano, traça uma crítica ampla ao modelo de atuação das grandes empresas de tecnologia e convoca autoridades globais a regulamentarem e a frearem o avanço da inteligência artificial.

No texto, o pontífice norte-americano sustenta que a inteligência artificial não deve permanecer sob o controle exclusivo de poucas corporações com grande poder econômico e computacional, defendendo a ideia de “desarmar a IA” para transformá-la em bem comum. Leão XIV propõe que os dados digitais sejam tratados de modo semelhante aos recursos naturais, pertencendo a toda a humanidade em vez de a proprietários privados.

A encíclica rejeita o argumento de neutralidade tecnológica usado por empresas do setor, afirmando que nenhum algoritmo é neutro, já que incorpora valores, incentivos financeiros e lacunas dos seus criadores e financiadores. O documento aponta que a concentração desse poder em grupos oligárquicos compromete processos democráticos, dirige padrões de consumo de forma pouco transparente e aprofunda desigualdades entre quem tem ou não acesso digital.

Capítulos do texto abordam com detalhamento as consequências da IA para o mercado de trabalho e as decisões corporativas automatizadas. O Papa alerta que, frequentemente, os sistemas tecnológicos forçam trabalhadores a se adaptar ao ritmo das máquinas, em vez de serem concebidos para apoiá-los. O documento critica escolhas de engenharia motivadas exclusivamente por busca de lucro quando resultam em perda massiva de empregos e afirma que a economia deve estar subordinada à dignidade humana e ao bem comum.

Leão XIV também condena a delegação de decisões sensíveis — como demissões, concessão de crédito ou direitos — a sistemas automatizados que operam sem compaixão e com dados afetados por vieses históricos. Durante a apresentação da encíclica no Vaticano, que contou com a presença de Chris Olah, cofundador da empresa de IA Anthropic, o pontífice rebateu críticas de executivos do setor que classificam restrições como entraves à inovação.

Imagem: REUTERS/Vincenzo Livieri

O Papa defendeu a necessidade de prudência, avaliações rigorosas e, por vezes, de ritmos mais lentos na adoção de modelos de IA, argumentando que isso não se opõe ao progresso, mas representa cuidado responsável pela família humana. Ele ainda considerou insuficientes iniciativas internas de startups que criam “constituições éticas” enquanto a moralidade continuar sendo definida por um grupo restrito de diretores.

Com informações de Forbes