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A Paramount, agora controlada em parte pela Skydance Media, saiu de uma situação financeira delicada no começo de 2024 para vencer a concorrência de empresas como a Netflix na tentativa de adquirir a Warner Bros. Discovery (WBD). A operação culminou após ofertas competitivas e um processo de negociação que envolveu vários lances e ações judiciais.

No início de 2024, a dona de marcas como Paramount Pictures, MTV, Nickelodeon, CBS e Comedy Central registrou prejuízo de US$ 1,6 bilhão no seu streaming, o Paramount+, em 2023. Em abril daquele ano, Bob Bakish foi demitido da função de CEO. Bakish comandava a companhia desde 2016, passando pelas fusões entre Viacom e CBS em 2019 e a consequente integração com a Paramount em 2022.

A empresa chegou a ser oferecida ao mercado: o fundo Apollo Global propôs US$ 11 bilhões para comprar as divisões de cinema e TV, negociação que não avançou. A definição do novo rumo ocorreu em julho de 2025, quando a Paramount se fundiu com a Skydance Media em um acordo de US$ 8 bilhões, aprovado pela Comissão Federal de Comunicações (FCC). Após a fusão, David Ellison — filho do bilionário Larry Ellison — assumiu a liderança, com promessas de aporte de capital e investimento em tecnologia.

Início da disputa pela WBD

Em setembro de 2025, a recém-formada Paramount Skydance apresentou a primeira oferta pela Warner Bros. Discovery, que já buscava um comprador. Em outubro, o conselho da WBD rejeitou a proposta inicial da Paramount, de cerca de US$ 20 por ação. Em novembro, entraram na disputa também a Netflix e a Comcast.

No dia 5 de dezembro, WBD e Netflix anunciaram um acordo: a transação em dinheiro previa pagamento de US$ 27,75 por ação, totalizando cerca de US$ 82,7 bilhões, com valor patrimonial estimado em US$ 72 bilhões. Consumidores da Netflix chegaram a ser informados por e-mail sobre a convergência dos portfólios de streaming.

Não conformada, a Paramount lançou no dia 8 de dezembro uma oferta hostil de US$ 30 por ação, equivalente a US$ 108,4 bilhões. O conselho da Warner recomendou, pouco depois, a rejeição dessa oferta, mantendo a sinalização favorável ao acordo com a Netflix. Em janeiro, a Paramount abriu um processo contra a Warner para obter detalhes financeiros que teriam embasado a preferência pela Netflix.

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No último dia 10, a Paramount aprimorou sua proposta incluindo uma “taxa de marcação” (ticking fee), mantendo o valor de US$ 30 por ação. Posteriormente, na segunda-feira, 23, a empresa elevou a oferta para US$ 31 por ação, buscando endereçar preocupações sobre o financiamento.

A reviravolta

Nessa quinta-feira, 26, a Warner Bros. Discovery informou que analisaria a proposta da Paramount e concedeu à Netflix quatro dias para igualá‑la. A Netflix, por meio dos co‑CEOs Ged Sarandos e Greg Peters, anunciou que não apresentaria nova oferta, afirmando que o acordo “não é mais financeiramente atraente” e que não iria igualar a proposta da Paramount Skydance. Os executivos disseram ainda que o negócio negociado teria criado valor para acionistas e tido caminho claro para aprovação regulatória, mas que o preço exigido tornou‑o inviável.

Com a retirada da Netflix, abriu‑se caminho para que WBD e Paramount avancem no acordo. A Paramount concordou em pagar a taxa de rescisão de US$ 2,8 bilhões que a Warner teria de quitar com a Netflix para encerrar o acordo anterior.

Com informações de Meioemensagem