Um estudo recente propõe que os chamados Pequenos Pontos Vermelhos, objetos que começaram a chamar a atenção dos astrônomos com as observações do Telescópio Espacial James Webb (JWST) em 2022, não teriam simplesmente desaparecido do universo, mas sim evoluído para aglomerados globulares, estruturas densas de estrelas observadas em galáxias atuais.

Mistério e hipótese

Os Pequenos Pontos Vermelhos foram detectados em grande número em épocas correspondentes a cerca de 600 milhões de anos após o Big Bang. O enigma surgiu porque esses objetos parecem sumir antes de o universo atingir aproximadamente dois bilhões de anos. Desde a descoberta, foram propostas várias explicações, incluindo a ideia de que se tratariam de “estrelas de buraco negro” — buracos negros envolvidos por nuvens extensas de gás e poeira.

A nova pesquisa, conduzida por uma equipe que inclui John Chisholm, da Universidade do Texas em Austin, apresenta uma alternativa: os objetos observados pelo JWST poderiam ser aglomerados globulares em formação, com uma estrela supermassiva no centro. Esse tipo de estrela hipotética teria massa entre mil e dez mil vezes a do Sol e vida muito curta, o que daria ao sistema a aparência registrada como Pequeno Ponto Vermelho.

“Estes podem não ser apenas uma estranha nova população do JWST sem conexão com o universo que nos cerca hoje”, afirmou John Chisholm. Segundo ele, os Pequenos Pontos Vermelhos “podem persistir para além do universo primitivo, evoluindo para algo relativamente familiar.” A pesquisadora Danielle Berg, também da Universidade do Texas em Austin, observa que os aglomerados globulares normalmente são vistos apenas após bilhões de anos de evolução, quando suas características originais já foram alteradas.

Química e dinâmica

A equipe destaca que muitas estrelas em aglomerados globulares apresentam composições químicas atípicas: níveis elevados de hélio, nitrogênio, sódio e alumínio, e abundâncias menores de carbono, oxigênio e magnésio. Mike Boylan-Kolchin, integrante do grupo, afirma que essa assinatura química é indicativa de fusão nuclear em temperaturas muito mais altas do que nas estrelas comuns, e que uma estrela supermassiva seria um ambiente capaz de produzir esse padrão.

No modelo proposto, essas estrelas gigantes surgiriam em ambientes extremamente densos durante a formação dos primeiros aglomerados, com colisões e fusões estelares frequentes. Apesar da grande massa, viveriam por apenas cerca de um milhão de anos — tempo suficiente para sintetizar os elementos observados e, após morte em supernovas, enriquecer o gás que formaria gerações posteriores de estrelas.

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Distribuição, época e limitações

Além da assinatura química, os pesquisadores apontam que a distribuição cosmológica e a época de surgimento dos Pequenos Pontos Vermelhos (≈600 milhões de anos após o Big Bang) coincidem com estimativas para o início da formação dos aglomerados globulares. Modelos de evolução testados pela equipe indicam que as massas estimadas para esses pontos poderiam crescer até as massas dos aglomerados globulares observados hoje. A Via Láctea, por exemplo, possui pelo menos 150 aglomerados desse tipo.

Os autores, contudo, ressaltam que a hipótese ainda não é definitiva. “Não há, neste momento, uma prova definitiva de que os Pequenos Pontos Vermelhos sejam aglomerados globulares, mas isso explicaria muitas observações diversas e surpreendentes”, declarou Boylan-Kolchin. O estudo está disponível como pré-print no repositório arXiv sob o identificador arXiv:2602.15935, o que indica que os resultados ainda não passaram por revisão por pares.

Com informações de Olhardigital