A Pesquisa Game Brasil 2026 (PGB 2026) revela que uma parcela significativa dos consumidores no país tem receio de perder o acesso a jogos comprados em formato digital. Segundo o levantamento, 22% dos entrevistados afirmam se preocupar “muito” com a possibilidade de deixar de acessar títulos adquiridos, enquanto 34,5% relatam uma preocupação em nível médio — totalizando 56,5% dos participantes com algum grau de insegurança sobre a permanência dos jogos em suas bibliotecas.

O estudo coloca em evidência a transição do mercado para o formato digital, processo que ganhou força em consoles a partir dos anos 2000, com iniciativas de lojas virtuais em plataformas como PlayStation 3, Xbox 360 e Nintendo Wii. A presença do digital se intensificou nas gerações subsequentes, a ponto de, em 2025, a Sony declarar que apenas 3% de sua receita de softwares provém da venda de discos físicos.

Dados do instituto Circana apontam que a receita com mídia física foi de US$ 1,5 bilhão em 2025, o menor nível desde 1995, o que indica menor retorno financeiro para o formato e sugere redução de investimentos por parte das empresas no futuro próximo.

Licenças vinculadas a contas e casos de remoção

Além da queda das vendas físicas, a pesquisa destaca uma preocupação prática dos usuários: em lojas como PS Store e Nintendo eShop, o consumidor não adquire uma cópia definitiva do jogo, mas uma licença de uso vinculada à conta. A PGB 2026 lembra episódios em que empresas como Sony e Ubisoft removeram títulos de suas lojas e, em alguns casos, retiraram esses jogos também das bibliotecas dos usuários, alimentando dúvidas sobre a durabilidade do investimento.

Frentes como a campanha Stop Killing Games surgem com a proposta de assegurar maior longevidade ao acesso aos jogos, mas novos desafios aparecem simultaneamente, como a polêmica envolvendo os Game-Key Cards no contexto do Switch 2.

Pesquisa mostra que maioria dos jogadores brasileiros teme perder acesso a jogos digitais

Imagem: Diego Corumba/Canaltech

Nostalgia e comportamento de consumo

A pesquisa também aponta que a nostalgia tem papel relevante no comportamento dos jogadores brasileiros: 62,6% costumam revisitar títulos clássicos. Entre os entrevistados, 36,3% declararam intenção de recomprar certos jogos, enquanto 23,8% desejam que esses títulos sejam disponibilizados via retrocompatibilidade nas plataformas atuais.

O levantamento mostra, portanto, que o público brasileiro convive com a contradição entre a dependência crescente do formato digital e a preocupação com a preservação do acesso às suas aquisições.

Com informações de Canaltech