Os preços do petróleo avançaram mais de 4% nesta sexta-feira, alcançando o maior patamar em mais de um mês, após nova escalada de ataques entre os EUA e o Irã no Golfo Pérsico. A intensidade dos confrontos elevou os riscos para o transporte marítimo, com temor de um eventual fechamento do Mar Vermelho e restrições no tráfego pelo Estreito de Ormuz.

Os contratos futuros do Brent fecharam em alta de US$ 3,87 por barril, ou 4,59%, cotados a US$ 88,10 o barril. O West Texas Intermediate (WTI) registrou alta de US$ 3,54, ou 4,48%, terminando em US$ 82,49 por barril.

Ambos os índices acumularam elevação de aproximadamente 16% nesta semana, com o Brent a caminho do terceiro ganho semanal consecutivo e o WTI buscando o segundo fechamento semanal positivo.

Na sexta-feira, os ataques se intensificaram: os Estados Unidos atingiram pontes e um aeroporto no Irã, enquanto Teerã respondeu com ataques a uma usina de energia e a uma instalação de dessalinização em Kuweit. O governo iraniano também declarou ter realizado novos ataques contra instalações americanas no Oriente Médio, incluindo a primeira ofensiva direta na Síria, após a sexta noite seguida de ataques americanos a locais militares iranianos.

Analistas do mercado atribuem a alta dos preços à incerteza gerada pela escalada. Segundo Andrew Lipow, presidente da Lipow Oil Associates, a reação dos preços reflete justamente a intensificação das hostilidades e as represálias iranianas contra infraestruturas regionais. Ele acrescentou que, caso navios-tanque sofram danos e armadores evitem o Golfo Pérsico, os preços devem continuar subindo.

A ruptura da trégua entre os dois países reduziu os fluxos de petróleo que passam pelo Estreito de Ormuz. O Irã, por sua vez, teria pressionado o movimento houthi a fechar a rota do Mar Vermelho caso os Estados Unidos atacassem infraestruturas energéticas iranianas.

Analistas do Commerzbank observaram que o tráfego pelo Mar Vermelho cresceu significativamente desde o início da guerra, em razão do redirecionamento das exportações sauditas para evitar o Estreito de Ormuz. Tamas Varga, da PVM Oil Associates, ressaltou que grande parte das exportações da Arábia Saudita foi desviada para o porto de Yanbu, por meio do oleoduto Leste-Oeste, e que qualquer incidente nessa rota constitui uma ameaça real às exportações.

Imagem: REUTERS/Alexander Manzyuk

A Arábia Saudita desviou mais de 70% de suas exportações diárias para o porto de Yanbu desde o começo do conflito. Os embarques a partir de Yanbu chegaram a uma média de 4 milhões de barris por dia nas últimas semanas, ante cerca de 973 mil barris diários no mesmo período do ano passado.

O Ministério da Defesa do Catar informou que suas forças armadas frustraram um ataque com mísseis do Irã na madrugada de sexta-feira, e o Ministério do Interior registrou que uma criança ficou ferida por estilhaços durante as operações de interceptação.

Em outra frente, as forças armadas da Ucrânia comunicaram ter atingido uma refinaria de petróleo russa na região de Yaroslavl na quinta-feira.

Com informações de Forbes