A Polícia Federal identificou, no telefone celular do banqueiro Daniel Vorcaro, mensagens que indicam a coordenação de uma estratégia em redes sociais para defender a imagem do Banco Master e atacar autoridades e jornalistas.
Segundo investigadores, a movimentação virtual seguiu o mesmo padrão observado nos recentes ataques ao Banco Central (BC) após a liquidação do Master, anunciada na virada do ano. Contratos obtidos pela PF preveem repasses de até R$ 2 milhões a influenciadores digitais envolvidos na iniciativa.
Documento “Projeto DV” e multa de sigilo
O jornal O Estado de S. Paulo teve acesso a um arquivo intitulado “Projeto DV”, referência às iniciais de Vorcaro. O texto estabelece multa de R$ 800 mil para quem romper o sigilo do acordo. Entre os signatários aparece um administrador do Grupo Leo Dias, empresa ligada ao jornalista especializado em celebridades.
No momento, a PF elabora um relatório preliminar que definirá se há elementos para a abertura de inquérito formal contra o presidente do Banco Master.
Atuação da UNLTD e oferta a políticos
Os pagamentos aos perfis que publicaram críticas ao BC foram feitos pela UNLTD, empresa registrada em Águas Claras (DF) com capital social de R$ 5 mil. O contrato menciona o administrador André Silva Salvador, dono da companhia e sócio em outras duas firmas sediadas em Pelotas (RS), onde ele reside.
Entre os alvos contatados para divulgar o conteúdo, o vereador Rony Gabriel (PL-RS), de Erechim, recusou a proposta. O deputado estadual Leonardo Siqueira (Novo-SP) também foi procurado; Salvador informou que gerenciava a crise de um executivo do setor financeiro e só revelaria o nome mediante acordo de confidencialidade.
Repercussão no TCU e no Congresso
No início do ano, influenciadores passaram a repercutir despacho do ministro Jhonatan de Jesus, relator do caso no Tribunal de Contas da União (TCU), que questionou a decisão do BC de liquidar o Banco Master. O Banco Central justificou o encerramento alegando incapacidade da instituição de honrar dívidas e possíveis irregularidades.
Posteriormente, Jhonatan suspendeu a inspeção determinada e enviou o processo ao plenário do TCU, que retorna do recesso em 16 de janeiro. Paralelamente, o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) pediu à Procuradoria-Geral da República que investigue o ministro por suposto abuso de autoridade e “interferência indevida”.
Imagem: Divulgação
MPTCU quer acesso a apurações da PF
O Ministério Público junto ao TCU (MPTCU) solicitou ao presidente da Corte, ministro Vital do Rêgo, acesso às investigações da PF. O pedido, assinado pelo subprocurador-geral Lucas Rocha Furtado, faz referência a declarações do comentarista Octávio Guedes, da GloboNews, sobre uma “campanha coordenada” nas redes para desestabilizar o BC.
Créditos inexistentes e desvio bilionário
Nos documentos enviados ao TCU em 29 de dezembro, o Banco Central apontou que a Tirreno Consultoria Promotoria de Crédito e Participações S.A. originou cerca de R$ 6,7 bilhões em créditos sem lastro. Parte desses papéis foi comprada pelo Banco Master e repassada ao Banco de Brasília (BRB) sem garantias.
O BC também acusa o Master de gestão fraudulenta, com suposto desvio de R$ 11,5 bilhões para diferentes fundos de investimento que teriam o mesmo beneficiário final.
As conclusões da Polícia Federal sobre o material apreendido serão determinantes para definir os próximos passos do caso.
Com informações de Revistaoeste

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6