Um estudo citado no PubMed indica que o uivo noturno de cães está ligado a traços genéticos herdados de seus ancestrais selvagens. Pesquisadores observaram diferenças na reação a estímulos sonoros entre raças antigas e raças mais recentes, o que ajuda a explicar por que alguns animais vocalizam mais durante a noite.

O que diz a pesquisa

Segundo o estudo disponível no PubMed, raças consideradas “antigas” apresentam resposta mais intensa a sons externos do que raças modernas. O trabalho apontou que cães como Husky e Malamute tendem a uivar em reação a ruídos, enquanto cães de linhagens desenvolvidas mais recentemente costumam responder com latidos. Os autores relacionam esse comportamento à preservação de padrões neurais e genéticos herdados de lobos.

Como a ancestralidade influencia

Os lobos usam o uivo para demarcar território e reunir integrantes da matilha a longas distâncias. Em cães, a manutenção de receptores cerebrais que interpretam sons agudos como sinais sociais complexos pode explicar a diferença entre raças. Em ambientes urbanos, estímulos modernos, como sirenes, ativam esse gatilho genético e levam a episódios de uivo entre cães domésticos.

Quais sons costumam provocar uivos

O estudo e observações complementares indicam que diversos estímulos sonoros podem ser interpretados pelo animal como um uivo de outro indivíduo ou um chamado de matilha. Os principais gatilhos relatados são:

  • Sirenes de veículos de emergência com frequências agudas;
  • Uivos de outros cães na vizinhança;
  • Sons de alta frequência emitidos por aparelhos eletrônicos;
  • Ansiedade de separação intensificada pelo silêncio noturno.

Quais raças têm maior tendência

A proximidade genética com o lobo cinzento é um fator determinante. Raças de origem nórdica ou selecionadas para trabalhos isolados apresentam maior propensão ao uivo. O levantamento citado classifica:

Imagem: Divulgação

  • Raças antigas (ex.: Husky, Malamute, Shiba Inu) — muito alto;
  • Cães de trabalho (ex.: Beagle, Bloodhound, Coonhound) — alto (tendência à baying);
  • Raças modernas (ex.: Golden Retriever, Poodle, Labrador) — baixo.

Como lidar com uivo excessivo

Quando o uivo decorre de tédio ou solidão, o enriquecimento ambiental é recomendado: oferecer brinquedos que estimulem a mente e o olfato antes de dormir pode reduzir a ansiedade e o gasto de energia acumulada. Se a reação for instintiva a sons externos, técnicas de dessensibilização e recompensas por comportamento calmo podem ensinar o animal a ignorar os estímulos sonoros.

Quando procurar um veterinário

Embora na maior parte das situações o uivo seja uma expressão genética inofensiva, ele também pode sinalizar dor. É importante observar a linguagem corporal do cão em busca de sinais como prostração ou falta de apetite. Cães idosos podem passar a uivar devido à desorientação causada pela disfunção cognitiva canina; nesses casos, a avaliação veterinária é recomendada se o comportamento surgir de forma súbita ou acompanhado de mudanças significativas na rotina.

Com informações de Olhardigital