Emirados Árabes Unidos, São Paulo e Miami vêm despontando como novos centros de atração de investimentos em fintech, em uma movimentação que desloca parte do foco global do setor para o oeste, segundo levantamento publicado pela Forbes. A mudança ocorre apesar da permanência da região Ásia-Pacífico como um polo relevante.

A vantagem cripto dos Emirados Árabes

Nos Emirados Árabes Unidos, o crescimento de ativos digitais tem sido um motor para o desenvolvimento de um ecossistema fintech robusto. A combinação de regulamentação clara e proativa, política tributária de zero imposto e apoio governamental à tecnologia blockchain tem atraído empresas, talentos e capital.

Juridições especializadas, como a VARA em Dubai e a ADGM em Abu Dhabi, e iniciativas como o DMCC Crypto Centre — que abriga mais de 700 empresas de blockchain e Web3, incluindo Binance, Ripple e Crypto.com — ajudaram a consolidar o país como um dos principais hubs globais de cripto.

O processo de licenciamento nos Emirados pode ser mais rápido e adaptado a startups em comparação com outras praças cripto, como Hong Kong, e a ausência de impostos sobre negociação e mineração de criptoativos aumenta a atratividade. Além disso, o acesso a capital do Oriente Médio, incluindo fundos soberanos e family offices, contribui para a expansão.

Dados da Chainalysis indicam que, entre 2024 e 2025, a economia dos Emirados recebeu mais de US$ 56 bilhões (R$ 281,12 bilhões) em valor em criptomoedas, com crescimento anual de 33% — abaixo dos 86,4% verificados no ciclo anterior, mas ainda sinalizando avanço contínuo. A pesquisa destaca também que o uso de criptomoedas tem se ampliado para pagamentos de menor valor, assumindo papel prático além da função especulativa.

Estima-se, pela Triple-A, que a taxa de adoção local alcance 30%, bem acima dos 3% de Hong Kong e da média global de 7%.

São Paulo: polo fintech da América Latina

São Paulo se destaca como centro fintech na América Latina por atender a uma grande população parcialmente desbancarizada ou insatisfeita com serviços tradicionais. O contexto brasileiro — uma economia de renda média-alta e alta concentração bancária — cria demanda por soluções mais eficientes.

Bancos brasileiros costumam cobrar taxas e juros elevados, com cinco instituições concentrando 80% dos ativos e empréstimos do sistema. É neste cenário que surgiram fintechs que ganharam relevância, como o Nubank, criado em 2013 em São Paulo. Inicialmente lançado como cartão de crédito sem anuidade, o Nubank expandiu para contas digitais e crédito, oferecendo taxas entre 30% e 40% inferiores à média do mercado.

Segundo dados citados pela empresa, o Nubank é hoje a maior instituição financeira privada do país em número de clientes, com base em informações do Banco Central. Na América Latina, a companhia atende 15% da população adulta do México e já ultrapassou 4 milhões de clientes na Colômbia. Entre outras fintechs relevantes sediadas em São Paulo estão Agibank, PicPay, Creditas, StoneCo, CloudWalk e Unico IDTech, especializada em verificação de identidade e detecção de deepfakes.

A ascensão de Miami

Miami tem se consolidado como um portal financeiro entre os Estados Unidos, a América Latina e o Caribe, o que explica sua crescente importância como polo de fintech. A cidade abriga mais de 60 bancos globais e desenvolveu ambiente regulatório e fiscal favorável a criptoativos.

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Em 2025, startups de fintech em Miami captaram US$ 909 milhões (R$ 4,56 bilhões) em 85 rodadas de venture capital. No total, empresas de finanças digitais do sul da Flórida concentraram a maior parte dos US$ 1,22 bilhão (R$ 6,12 bilhões) investidos no estado. Entre as principais empresas locais figuram MoonPay, Securitize, Pipe, Milo e NovoPayment.

O avanço do ecossistema também foi apoiado por leis estaduais que flexibilizam restrições a empresas de moedas virtuais e permitem o uso de criptoativos em contratos comerciais. Iniciativas recentes incluem regulamentações para stablecoins (Senate Bill 314) e esforços para integrar ativos digitais aos sistemas jurídico, bancário e imobiliário, buscando fomentar inovação e proteção ao consumidor.

Gestão de riscos

Apesar dos avanços, os três polos enfrentam desafios específicos que exigem gestão de riscos. Nos Emirados, a escalada de tensões geopolíticas com o Irã gerou ataques com drones e mísseis a infraestruturas críticas, incluindo centros de dados da Amazon Web Services (AWS), com interrupções em serviços bancários e de pagamento. Em resposta, o banco central dos Emirados injetou US$ 8 bilhões (R$ 40,16 bilhões) no sistema financeiro no início de abril de 2026, após uma queda de mais de 40% na liquidez desde o início do conflito. A necessidade de demonstrar resiliência frente a choques geopolíticos tornou-se mais evidente para investidores.

Em São Paulo, os riscos são sobretudo cibernéticos: ataques de ransomware a órgãos públicos e ao setor de saúde, trojans bancários e fraudes que afetam a infraestrutura de fintechs. O estado tem reforçado a defesa digital com a implantação de um centro centralizado de operações de segurança (SOC).

Miami, por sua vez, convive com desafios típicos de grandes centros de economias avançadas, como custo de vida elevado, pressão sobre moradia e concorrência por talentos, problemas comparáveis aos enfrentados por polos como Vale do Silício e Singapura.

Cada um desses centros precisa administrar riscos próprios enquanto seus ecossistemas crescem, à medida que investidores e reguladores acompanham o desenvolvimento das finanças digitais.

Com informações de Forbes