Reinvenção e regras das “eras” no K-pop

No K-pop, o conceito de “era” orienta cada comeback, combinando estética, narrativa e sonoridade para definir a identidade de um grupo. Em um mercado marcado pela velocidade e pela concorrência intensa, a renovação constante deixou de ser opcional e passou a integrar a estratégia de posicionamento dos artistas.

Especialistas ouvidos explicam, porém, que essa dinâmica se manifesta de modo distinto entre girl groups e boy groups. Para o jornalista Fefo Caires, a recepção do público tende a exercer uma pressão maior sobre grupos femininos, tornando cada retorno ao cenário quase um teste sobre a aceitação da nova proposta.

Segundo ele, enquanto todos os artistas enfrentam demanda por inovação, as girl groups frequentemente vivenciam essa necessidade de reinvenção com intensidade superior, levando parte dessas mudanças a funcionarem como medidas de sobrevivência artística.

A criadora de conteúdo Carol Pardini, do canal Na Coreia Tem, destaca que o próprio mercado estabeleceu expectativas diferentes para cada categoria. Na avaliação dela, os grupos femininos historicamente transitam por transformações visuais e conceituais mais frequentes, em que cada comeback pode equivaler a um reposicionamento de marca.

Continuidade entre boy groups e experimentação entre girl groups

Por outro lado, Carol aponta que boy groups costumam apostar em continuidade: constroem uma base conceitual e aprofundam essa linha ao longo das eras, criando uma narrativa mais consistente. Exemplos citados desse modelo incluem ATEEZ, ENHYPEN e Stray Kids, que ligam estéticas e histórias entre lançamentos.

Entre os girl groups, há maior variação de caminhos. Grupos como ILLIT têm buscado uma assinatura visual e sonora mais contínua, explorando uma estética próxima ao dreamcore — com elementos oníricos e delicados que se repetem entre comebacks. Já formações como BABYMONSTER, da YG Entertainment, mostram uma postura mais experimental, alternando entre propostas leves e coloridas e abordagens mais intensas.

Imagem: Divulgação

Outros nomes femininos citados, como ITZY e LE SSERAFIM, também exemplificam mudanças visíveis de identidade, estética e atmosfera a cada retorno, reforçando a percepção de que a reinvenção é mais frequente entre girl groups.

Cenário atual e gerações

O K-pop atualmente vive a chamada 5ª geração, termo aplicado a grupos que debutaram a partir de 2023. Nesse contexto mais competitivo e acelerado, a construção de identidade tem sido alvo de experimentações sobretudo nos primeiros lançamentos: artistas mais novos testam conceitos até encontrar uma assinatura clara, enquanto nomes mais estabelecidos tendem a transformar eras em extensões de um mesmo universo criativo.





Especialistas lembram ainda o dilema que orienta a escolha de direção artística: é preciso se diferenciar para chamar atenção, mas sem se distanciar demais do que já funciona no mercado — um equilíbrio nem sempre simples de alcançar.

Com informações de Portalpopline