Porto e Oncoclínicas assinaram um memorando de entendimentos na última semana para negociar a formação de uma nova companhia que concentraria as 150 clínicas da rede oncológica, com exclusividade de 30 dias para definir os termos da operação. O desenho da transação prevê que a Porto seja a principal acionista da nova empresa, que receberia R$ 1 bilhão em investimentos.
Pelo acordo apresentado no fato relevante, a Porto fará um aporte de R$ 500 milhões na nova sociedade por meio da subscrição de ações ordinárias, em volume suficiente para garantir o controle do capital votante. Outros R$ 500 milhões seriam captados pela própria empresa por meio da emissão de debêntures conversíveis em ações, que permaneceriam com a Porto. As debêntures teriam prazo de conversão de 48 meses e remuneração equivalente a 110% do CDI.
A Oncoclínicas manteria, na empresa atualmente listada em B3, os hospitais — que já estão à venda — e a unidade na Arábia Saudita, negócios que, segundo o comunicado, consomem caixa ao contrário das clínicas. O memorando não detalha integralmente como seria feita a transferência de dívida: o documento apenas afirma que “um determinado montante do endividamento da Oncoclínicas seria transferido à nova empresa”, trecho assinado por Marcel Cecchi Vieira.
Vieira é sócio da Latache, gestora que detém pouco mais de 14% do capital social da Oncoclínicas, e assumiu como CFO interino no mesmo dia em que a companhia anunciou a renúncia de Camille Faria. A saída de Faria, que ingressou na empresa no começo de fevereiro para tratar de estruturas corporativas e de negócios, foi atribuída pela apuração do InvestNews à falta de clareza sobre o desenho da operação, e não à negociação em si.
Contexto financeiro e relevância estratégica
A Oncoclínicas acumula cerca de R$ 4 bilhões em dívidas e ainda enfrenta os efeitos do envolvimento com o Banco Master, que anteriormente chegou a deter 15% da companhia; a rede manteve quase R$ 480 milhões aplicados em CDBs do banco, episódio que gerou disputa pelas ações pertencentes ao ex-executivo Daniel Vorcaro. A empresa concentra cerca de 18% dos oncologistas do país e atende demanda crescente por tratamentos oncológicos.
Para a Porto, as clínicas representam uma forma de atender a sua base na vertical de planos de saúde, a Porto Saúde, a custos inferiores aos de concorrentes. Hoje a Porto paga cerca de R$ 500 milhões por ano à rede, tornando a Oncoclínicas sua principal parceira no tratamento oncológico, segundo apuração do InvestNews. Fontes consultadas também apontaram o risco de depender da Rede D’Or, que tem custos maiores e atua como concorrente em planos de saúde.
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Há expectativa de que credores possam migrar parte da dívida para a nova companhia, conforme informações publicadas pelo Brazil Journal, mas o fato relevante não esclarece o montante nem as condições dessa eventual transferência. Gestores consultados indicaram que a concretização do acordo exigirá o atendimento de múltiplas condições e, para alguns, dependeria de deixar na nova empresa apenas os ativos considerados “bons”.
A negociação segue em fase de definição durante o período de exclusividade de 30 dias entre as partes.
Com informações de Investnews

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6