Professores da Universidade de São Paulo (USP) decidiram, nesta segunda-feira, 25, iniciar greve em solidariedade aos estudantes e para reivindicar valorização salarial. A paralisação foi aprovada em Assembleia Geral convocada pela Adusp (Associação de Docentes da Universidade de São Paulo) e prevê suspensão imediata das atividades docentes.

Além do apoio à mobilização estudantil, os docentes reivindicam recomposição salarial. Entre as pautas estão a reabertura das negociações entre a reitoria e o comando de greve estudantil, avanços na proposta de reajuste do Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (Papfe) e a garantia de que o movimento estudantil não será criminalizado.

A categoria rejeita o índice de reajuste proposto pelo Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp), que estabeleceu um aumento de 3,47%, correspondente à inflação acumulada nos últimos 12 meses pelo IPC-Fipe. Em seu contraproposta, a Adusp pede correção pelo IPCA, que registrou 4,39% no último ano segundo o IBGE, além de um acréscimo imediato de 3% como primeiro passo para recuperar perdas salariais, tomando como referência o poder de compra de maio de 2012.

Na assembleia, chegou a ser discutida a possibilidade de iniciar a paralisação na terça-feira, 26, com indicativo de greve, mas os docentes optaram pela greve a partir de imediato.

Demanda estudantil

Os estudantes aprovaram a greve em 14 de abril, em mobilização organizada pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE). O movimento estudantil manteve a paralisação mesmo após servidores terem conseguido avanços salariais em rodada anterior e encerrado sua própria mobilização; servidores haviam parado o trabalho em protesto contra gratificação anunciada exclusivamente para professores.

A principal reivindicação dos alunos é o aumento do Papfe. Atualmente, os benefícios variam de R$ 335 para quem reside em moradia estudantil até R$ 885 para auxílio integral. A reitoria apresentou proposta de ajuste atrelada ao IPC-Fipe, que elevaria o auxílio integral para R$ 912 mensais e o auxílio parcial para moradores a R$ 340. Os estudantes consideram a oferta insuficiente e defendem elevar o auxílio a R$ 1.804, valor equivalente ao salário mínimo paulista.

Imagem: Divulgação

Além do reajuste do Papfe, a pauta estudantil inclui críticas à gestão do restaurante universitário (“Bandejão”), à situação da moradia estudantil e ao quadro do Hospital Universitário (HU), que, segundo manifestantes, perdeu cerca de 30% do efetivo na última década.

A reitoria realizou três rodadas de negociação com os estudantes, mas, diante da rejeição da proposta apresentada, encerrou as conversas de forma unilateral. O reitor Aluísio Segurado afirmou que os valores apresentados representavam a última proposta possível por parte da administração.

Com informações de Infomoney

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