Um jornalista especializado em inovação e fundador de uma agência de comunicação que já atendeu mais de uma centena de startups e empresas de tecnologia relata que, além de casos de sucesso, acompanhou muitos projetos que não deram certo. Segundo ele, os principais problemas não são técnicos, mas sim decisões e crenças repetidas que se mantêm em diferentes eras — da internet e das startups até o blockchain, o metaverso e a atual onda de inteligência artificial.
Quatro equívocos recorrentes
Ao longo da trajetória, o autor identificou quatro clichês que frequentemente levam empreendedores ao erro. A seguir, a explicação de cada um deles:
1. Confundir novidade com inovação
Existe a ideia automática de que algo novo equivale a inovação, mas novidade não é sinônimo de valor. Inovação implica gerar utilidade onde antes não havia. Produtos impressionantes do ponto de vista técnico já fracassaram por resolver problemas que não existiam no mercado. Empreendedores podem se encantar pela tecnologia e esquecer de checar se há uma dor real do outro lado; consumidores compram soluções, não inovações por si só.
2. A síndrome do “ninguém me entende”
Muitos fundadores interpretam falta de investimento ou adesão como sinal de que o mercado não compreendeu a proposta. Outra hipótese, menos considerada, é que o mercado compreendeu e simplesmente não avaliou a oferta como relevante. Pode faltar maturidade na proposta, o problema pode não ser prioritário ou a solução pode não ser tão eficaz quanto o idealizador acredita. Há casos em que inovações foram inicialmente rejeitadas, mas também há diferença entre estar à frente do tempo e desconectado da realidade.
3. A crença de que “ninguém nunca pensou nisso antes”
Frases como “idéia inédita” e “ninguém está fazendo isso” são comuns, mas raramente refletem a realidade. Em um mundo com bilhões de pessoas, milhares de universidades e milhões de empreendedores, é improvável que uma ideia nunca tenha sido pensada. Sucessos como Uber, Airbnb e iFood não inventaram serviços básicos, mas inovaram na execução, modelo de negócio, experiência do usuário e timing. A obsessão por ser o primeiro pode fazer ignorar aprendizados valiosos de iniciativas anteriores que deram errado.
Imagem: Divulgação
4. Pegar carona em todo hype do momento
Ciclos de atenção curta impulsionam empresas a adotar tecnologias apenas para parecerem modernas. Embora tecnologias como criptomoedas, NFTs, metaverso e inteligência artificial tenham aplicações reais e impacto, nem toda empresa que menciona esses temas cria valor. Em cada onda surgem negócios que resolvem problemas concretos e outros que apenas incorporam o termo ao pitch para dar impressão de inovação. Nenhum hype substitui geração de valor real.
Esses quatro pontos aparecem repetidamente em diferentes momentos do ecossistema de inovação e, segundo o autor, ajudam a explicar por que tantas iniciativas promissoras não avançam.
Com informações de Tecmundo

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6