A Raízen protocolou um pedido de recuperação extrajudicial que, segundo especialistas, configura a maior reestruturação desse tipo já realizada no Brasil. A empresa informou que pretende reestruturar R$ 65,14 bilhões em créditos sujeitos ao plano, dentro de um passivo total declarado de R$ 98,63 bilhões.
Quem é a Raízen
A companhia, controlada por Shell e Cosan — cada uma com 44% —, é uma das maiores processadoras de cana-de-açúcar do mundo e atua também na distribuição de combustíveis no Brasil e na Argentina. Com mais de 34 mil empregados, o grupo administra 35 usinas e reportou receita líquida de R$ 255,3 bilhões na safra 2024/2025, com produção superior a 5 milhões de toneladas de açúcar, mais de 3 bilhões de litros de etanol e geração de mais de 1,9 GWH de energia renovável.
Por que a dívida aumentou
No documento que abriu o processo, a Raízen atribui o aumento do endividamento a investimentos elevados, condições climáticas adversas e incêndios florestais que reduziram safras e volumes de moagem. A empresa alertou em fevereiro para “incerteza significativa” sobre sua capacidade de continuação das operações. Do total do passivo a ser reestruturado, R$ 33,49 bilhões referem-se a obrigações entre sócios, classificadas como créditos intercompany.
Perfil da dívida e compromissos próximos
Apesar de a maior parte da dívida ter prazo mais longo — com prazo médio de 7,6 anos —, aproximadamente R$ 13 bilhões terão de ser pagos nos próximos 24 meses apenas para amortização. A Raízen afirmou que o plano de recuperação não abrangerá débitos com clientes, fornecedores e revendedores, contratos considerados essenciais para a continuidade das atividades e que permanecerão vigentes.
Impactos financeiros e próximos passos
Desde seu IPO em 2021, quando captou R$ 6,9 bilhões e teve ações precificadas a R$ 7,40, a companhia viu seu valor de mercado cair substancialmente, passando de R$ 76,298 bilhões em 1º de outubro de 2021 para R$ 5,378 bilhões em 10 de março de 2026. No pedido de recuperação extrajudicial, a Raízen informou contar com a adesão expressa de credores titulares de mais de 47% das dívidas financeiras, percentual que a empresa considera apoio relevante.
Imagem: divulgação
A companhia terá 90 dias, a partir do processamento da recuperação extrajudicial, para obter a participação mínima necessária à homologação do plano e vincular 100% dos créditos sujeitos aos novos termos. Entre as medidas previstas estão venda de ativos, capitalização pelos acionistas, conversão de parte dos créditos em participação acionária, substituição de créditos por novas dívidas e reorganizações societárias para segregar ativos.
Um porta-voz da Shell declarou apoio à reorganização e propôs aporte de R$ 3,5 bilhões para apoiar a Raízen. A Cosan, por sua vez, afirmou em comunicado regulatório que a reestruturação não afeta suas obrigações, operações, estrutura de capital ou posição financeira, e que suas atividades e relações comerciais permanecem inalteradas.
Com informações de Borainvestir.b3

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6