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A Raízen comunicou nesta quarta-feira (4) que estuda solicitar recuperação extrajudicial para tentar resolver sua crise financeira. Em fato relevante encaminhado ao mercado, a companhia informou que seus controladores, Shell e Cosan, avaliam um aporte total de R$ 4 bilhões como parte de um conjunto de medidas que também pode incluir conversão de dívida em participação acionária e alongamento do saldo remanescente da dívida.

Do total previsto, R$ 3,5 bilhões seriam aportados pelo Grupo Shell e R$ 500 milhões pela Aguassanta Investimentos, ligada à família de Rubens Ometto, controlador da Cosan. A Raízen informou ainda que dará continuidade à venda de ativos considerados “não estratégicos” e afirmou que as iniciativas não afetarão suas operações nem seus parceiros comerciais.

Impasses e negociações

Executivos do BTG, representantes da Cosan e lideranças globais da Shell se reuniram na semana passada em Londres para debater alternativas de reestruturação, mas saíram da capital britânica sem acordo. A necessidade de ajuste decorre do forte aumento do endividamento: a dívida bruta da Raízen está em torno de R$ 70 bilhões, com dívida líquida de R$ 55,3 bilhões, o que coloca a alavancagem em 5,3 vezes o Ebitda.

Pessoas próximas às negociações afirmam que o custo financeiro de manter esse passivo já supera R$ 7 bilhões ao ano. Nos nove meses do ano-safra 2025/26, a empresa reportou aproximadamente R$ 4 bilhões em despesas com o serviço da dívida.

Com a Shell liderando um eventual aporte e sem participação da Cosan, a petroleira consolidaria os cerca de R$ 70 bilhões de dívida bruta em seu balanço — valor próximo a US$ 13,5 bilhões — ao passo que o grupo de Ometto e André Esteves teria sua participação diluída. Atualmente, Shell e Cosan detêm 88% da Raízen, com 44% cada.

Propostas distintas entre acionistas

A Shell defende uma solução considerada mais imediata, com aporte aproximado de R$ 7 bilhões — metade pela Shell e metade pela Cosan — combinado à renegociação do passivo, incluindo possíveis haircuts e conversão parcial da dívida em ações da Raízen.

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Por outro lado, a Cosan, em conjunto com o BTG Pactual, propôs uma reestruturação mais abrangente, que prevê a cisão da Raízen em duas empresas: uma dedicada à produção e processamento da cana e outra à distribuição de combustíveis. Nesse modelo, fundos de private equity vinculados ao BTG teriam mandato para aportar cerca de R$ 5,5 bilhões na operação de combustíveis, assumindo o controle dessa parte do negócio com a Shell como sócia.

Fontes apontam que, internamente, o private equity do BTG evita investimentos diretos em empresas expostas a commodities, o que explica o interesse apenas na divisão de distribuição de combustíveis. A separação seria justificada pelos perfis de risco distintos entre a produção de açúcar e etanol, sujeita à volatilidade das safras, e a operação de distribuição, com fluxo de caixa mais previsível.





Diante do impasse entre os sócios, prevaleceu a avaliação de que caberia à Shell liderar a solução, em razão, entre outros fatores, de ser proprietária da marca Shell e da rede de postos que são centrais à operação de combustíveis da Raízen.

A Raízen, joint venture entre Shell e Cosan, é uma das maiores produtoras de etanol e de energia renovável do Brasil, com atuação relevante no mercado de combustíveis.

Com informações de Investnews