O índice Ibovespa fechou em queda nesta sexta-feira (17), pressionado pelo recuo das ações de empresas do setor de energia após a reabertura do Estreito de Ormuz pelo Irã, notícia que provocou forte desvalorização nos preços do petróleo. A perda das petrolíferas pesou sobre o benchmark brasileiro, que não acompanhou o viés positivo observado em mercados externos.

O principal indicador da B3 recuou 0,55%, a 195.733,51 pontos, registrando o terceiro pregão consecutivo no vermelho e encerrando a semana com baixa de 0,81%. No decorrer do dia, o Ibovespa atingiu máxima de 198.665,65 pontos pela manhã e mínima de 195.367,90 pontos à tarde. O índice Small Caps, que exclui papéis da Petrobras, fechou em alta de 0,93%.

O volume financeiro do pregão somou R$ 44,73 bilhões. O dia também foi marcado pelo vencimento de opções sobre ações na bolsa paulista.

A rodada de negócios foi fortemente influenciada por comunicado do governo iraniano informando a reabertura do Estreito de Ormuz para embarcações comerciais durante o restante da trégua de 10 dias mediada pelos Estados Unidos, entre as forças israelenses e o Hezbollah, acordo firmado entre Israel e Líbano, segundo post do ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, na plataforma X. O estreito estava praticamente fechado desde o início do conflito, no fim de fevereiro, após ataques atribuídos aos Estados Unidos e a Israel.

Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump afirmou que negociações poderiam ocorrer no fim de semana e manifestou expectativa de que um acordo para encerrar a guerra no Irã aconteça “em breve”. Em Nova York, o S&P 500 avançou 1,2%, renovando máximas.

Segundo Jerson Zanlorenzi, responsável pela mesa de ações e sócio do BTG Pactual, houve uma forte descompressão de risco no mercado internacional impulsionada, em grande parte, pela queda do petróleo, o que melhora as perspectivas sobre inflação e custo de energia. No entanto, o Ibovespa foi penalizado pelo elevado peso das ações da Petrobras na carteira do índice: as ações da estatal tinham participação combinada de 13% no portfólio vigente para o pregão desta sexta-feira.

Na B3, dados mostram entrada líquida de investidores estrangeiros de R$ 14,6 bilhões em abril até o dia 15, com saldo positivo de R$ 68 bilhões no ano. Esse fluxo ajudou o índice a renovar recordes no começo da semana, chegando a testar os 199 mil pontos.

Dólar

O anúncio sobre Ormuz também pressionou o dólar no Brasil. O câmbio à vista encerrou em queda de 0,20%, a R$ 4,9836, menor fechamento desde 27 de março de 2024 (R$ 4,9805). Na semana a divisa caiu 0,53% e, no ano, recuou 9,21%.

Imagem: índices crescendo

HORÁRIO: 10h06 (Brasília UTC-3). Às 10h06, o dólar à vista registrou a menor cotação intradia, R$ 4,9506 (-0,86%). Durante a manhã a moeda cedeu diante de outras divisas por redução do prêmio de risco, mas voltou a ganhar força no pregão e marcou máxima intradia de R$ 4,9933 às 14h11, antes de encerrar em leve baixa. No mercado externo, o índice do dólar permanecia em leve queda, mas acima de 98.

Petróleo

Os contratos futuros do petróleo registraram quedas acentuadas após o Irã afirmar que todos os navios comerciais poderiam transitar pelo Estreito de Ormuz durante o cessar-fogo. O Brent fechou em US$ 90,38 por barril, baixa de US$ 9,01 (9,07%), depois de cair a US$ 86,09 no mínimo do dia. O WTI dos EUA teve queda de US$ 10,48 (11,45%), encerrando a US$ 83,85, com mínima de US$ 80,56. Foram as maiores perdas diárias desde 8 de abril.

Uma autoridade iraniana disse à Reuters que a passagem deve ser coordenada com o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica e que o descongelamento de fundos iranianos fazia parte do acordo. Analistas da Gelber & Associates observaram que o mercado está rapidamente desfazendo o prêmio de risco extremo das últimas semanas, precificando uma normalização do fluxo ao invés do risco de interrupção. Dados de rastreamento mostram cerca de 20 navios em deslocamento do Golfo em direção à saída pelo estreito.

Entre as ações, PETROBRAS PN caiu 4,86% e PETROBRAS ON recuou 5,31%, com as preferenciais chegando a registrar queda de até 7,6% no pior momento do dia. No setor, PRIO ON caiu 4,03%, BRAVA ENERGIA ON teve baixa de 6,28% e PETRORECONCAVO ON recuou 4,12%. A estatal também anunciou acordo para comprar participação da petrolífera Oranto e assumir como operadora do bloco 3, no offshore de São Tomé e Príncipe.

A sessão terminou com o mercado refletindo a combinação entre a redução do prêmio de risco internacional e o impacto imediato da forte queda dos preços do petróleo sobre as ações das companhias energéticas listadas na B3.

Com informações de Forbes