Rendimentos no Brasil aumentaram, mas não têm acompanhado o ritmo do custo de vida, afirmam especialistas ouvidos em análise sobre percepção da inflação e indicadores oficiais.
Segundo Rodrigo Simões, diretor da Faculdade de Comércio de São Paulo (FAC-SP), três fatores explicam por que a elevação de renda não se traduz em ganho real para a população: baixa qualificação da mão de obra, produtividade reduzida — que leva trabalhadores a estender a jornada — e uma economia ainda relativamente fechada. Para ele, a menor aposta em educação, tecnologia e indústria impede que parte da população acerte um salto significativo na renda, mesmo em um cenário global de crescimento da produção.
Heron do Carmo, professor sênior da Faculdade de Economia e Administração (FEA) da USP e ex-coordenador do IPC-Fipe, afirma que o padrão de consumo ajuda a entender a sensação de preços fora de controle. Ele destaca que consumidores percebem a inflação sobretudo pelos preços dos bens que compram com maior frequência, como alimentos e combustível, e que variações nesses itens têm impacto maior na sensação cotidiana do que quedas pontuais em outras categorias.
O economista Alexandre Maluf, da XP Investimentos, ressalta que a diferença entre índices e percepção não é exclusividade brasileira e aumentou após o choque da pandemia, quando o nível de preços subiu. Maluf também aponta que o endividamento das famílias amplia a sensação de perda de poder de compra, pois compromete parcela maior da renda e força cortes justamente nos itens mais recorrentes. Ele menciona estudo do Ipea que indica desinflação de alimentos entre 2023 e 2025, mas que a impressão de “tudo mais caro” persiste.
Especialistas observam ainda que os indicadores oficiais diferem entre si: o IPCA, referência do Banco Central, abrange famílias com renda de 1 a 40 salários mínimos, enquanto o INPC cobre rendas de 1 a 5 salários mínimos e tende a refletir melhor a variação de itens básicos, como alimentação e transporte, mais presentes no dia a dia das camadas de menor renda.
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Na abertura da 4ª Conferência Anual do Banco Central, na quarta-feira, 13, o presidente da instituição, Gabriel Galípolo, manifestou preocupação com a percepção social sobre a inflação. Ele citou choques recentes — pandemia, guerra na Ucrânia, guerra tarifária dos EUA e a alta do petróleo relacionada ao conflito no Oriente Médio — e alertou que o nível de preços acumulado pode comprometer a credibilidade do BC junto à população. Galípolo destacou a redução da inflação de 12,13% em abril de 2022 para 4,39% em abril de 2026, mas lembrou que o IPCA acumula alta de 42,78% desde janeiro de 2020 e que os alimentos no domicílio subiram 64,35%, com impacto mais severo sobre os mais pobres.
O presidente do BC também apontou que, embora bancos centrais normalmente tratem choques no preço do petróleo como possivelmente transitórios, a linguagem cautelosa não resolve a questão central: como a autoridade monetária deve agir para enfrentar choques sem perder o controle da inflação e sem desconsiderar a percepção das famílias.
Com informações de Infomoney

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6