Com a taxa Selic em 14,25%, a renda fixa tem se mostrado mais atraente que o mercado de aluguel para quem busca renda passiva, segundo especialistas ouvidos. A comparação considera o retorno corrente dos aluguéis e as características de liquidez e aporte exigido em cada tipo de investimento.

Instrumentos de renda fixa como CDBs, debêntures e títulos do Tesouro são apontados como opções com maior simplicidade operacional e menor barreira de entrada quando comparados à aquisição de imóveis para locação. Além disso, esses títulos costumam exigir aportes iniciais significativamente mais baixos, o que facilita o acesso de investidores iniciantes.

Em contraponto, a renda proveniente de aluguéis tende a demandar um investimento inicial elevado para compra do imóvel e implica custos adicionais, como manutenção e risco de vacância — períodos em que o imóvel fica desocupado. O Índice FipeZap registrou média de retorno de 5,96% ao ano para aluguéis em dezembro de 2025, cifra inferior à remuneração observada na renda fixa com a Selic em nível elevado.

“Hoje, com a Selic em 14,25%, a renda fixa aparenta ser mais vantajosa em relação aos aluguéis, cuja média de retorno é de 5,96% ao ano, segundo o Índice FipeZap de dezembro de 2025. Mas o imóvel tem a possibilidade de valorização do ativo ao longo do tempo”, afirmou Victor Oliveira, sócio e diretor executivo da Grão Planejamento.

O crescimento de plataformas de locação por temporada trouxe novo interesse ao segmento imobiliário ao possibilitar receitas menos sujeitas a longos períodos de vacância. Ainda assim, esse modelo pode enfrentar limitações regulatórias em nível municipal ou restrições do condomínio, além de custos operacionais adicionais.

Quanto aos riscos, a renda fixa apresenta principalmente o risco de crédito — a capacidade do emissor de honrar o pagamento — mitigado em parte pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC) em determinados casos. Já o imóvel está sujeito à desvalorização por fatores locais e não conta com garantia similar: a perda recai sobre o proprietário.

Imagem: Adobe Stock

Adrian Carvalho, CEO da QuartaVia, ressalta a importância do yield — retorno em relação ao valor do ativo — na comparação. Segundo ele, a renda fixa costuma ser simples e competitiva nesse aspecto, enquanto a atratividade do aluguel depende da economia local e dos custos de operação. Carvalho observa também que a renda fixa oferece liquidez em dias, enquanto a venda de um imóvel pode levar meses ou anos.

Combinação é cenário o ideal

Para os analistas, combinar as duas classes de ativos tende a ser o caminho mais equilibrado, pois diversifica riscos e reduz exposição a variáveis como a taxa de juros e períodos de vacância. Eles destacam, ainda, que títulos de renda fixa podem ser adquiridos com aportes mínimos baixos — a partir de R$ 1 — enquanto a compra de imóveis costuma exigir dezenas ou centenas de milhares de reais.

De forma geral, a escolha entre renda fixa e aluguel dependerá do horizonte de tempo, da necessidade de liquidez, do capital disponível e da preferência pessoal do investidor entre ter um ativo físico ou uma receita previsível em extrato bancário.

Com informações de Borainvestir.b3