Seul promoveu a devolução do Rio Cheonggyecheon ao espaço urbano ao desmontar uma rodovia elevada e transformar o trecho em um corredor ecológico que chegou a reduzir a temperatura média local em até 3,3°C. A intervenção, considerada uma das maiores reformas urbanas recentes da capital sul-coreana, também favoreceu o retorno de diversas espécies e mudou a dinâmica de circulação de ar na região central.

O que foi feito e como isso alterou o microclima

O projeto removeu uma via expressa elevada de quatro quilômetros para reexpor o leito do rio, segundo estudo divulgado no ResearchGate. A retirada do asfalto e do concreto permitiu a formação de ventos locais que antes eram obstruídos pela infraestrutura viária, gerando efeito de resfriamento e transformando a área antes caracterizada como ilha de calor em um corredor mais fresco.

Biodiversidade e manutenção do fluxo de água

A presença de água corrente e de vegetação nativa voltou a atrair centenas de espécies de aves e peixes que não eram vistas no centro da cidade há décadas. Para garantir o fluxo mesmo durante episódios de seca severa, o sistema da obra inclui bombeamento de água proveniente de rios próximos, medida que mantêm a vazão constante e sustenta o novo ecossistema urbano.

Aspectos de engenharia e arqueologia

As escavações expuseram camadas de entulho e asfalto acumuladas desde o fim da Guerra da Coreia, exigindo mapeamento geológico detalhado. Durante as obras, foram recuperadas fundações de pontes de pedra da Dinastia Joseon, o que obrigou adaptções no projeto para integrar esses vestígios ao desenho do espaço público. Para estabilizar as margens sem descaracterizar a aparência natural, foram empregadas técnicas de bioengenharia e reforçados os sistemas de gestão de águas pluviais para enfrentar as cheias provocadas pelas monções de verão.

Impacto urbano e repercussão internacional

A iniciativa alterou a prioridade de mobilidade na área, substituindo o foco nos automóveis por um espaço voltado ao pedestre, e provocou valorização imobiliária nas regiões vizinhas. Milhões de moradores e turistas frequentam o trecho recuperado anualmente, e a experiência de Seul tem servido de referência para projetos semelhantes em metrópoles como Paris e Nova York.

Imagem: Divulgação

Além da redução térmica, a integração de espelhos d’água e de vegetação ribeirinha contribuiu para diminuir a absorção de radiação solar pelo ambiente construído e elevou a umidade relativa do ar nos dias secos de inverno, funcionando como um mecanismo natural de mitigação do calor e de melhora da qualidade de vida na área central.

Com informações de Olhardigital