Rodrigo Teaser, conhecido por seus shows de tributo a Michael Jackson, afirma que a cena pop atual recicla elementos criativos do passado em vez de apresentar verdadeira inovação. Em entrevista, o artista disse ver uma “reciclagem” nas posturas de palco, performances e escolhas sonoras que hoje são tratadas como vanguarda.

A visão de Teaser sobre a influência dos anos 80

Com longa trajetória nos palcos e responsável pelo Tributo a Michael Jackson, Teaser destacou que artistas tidos como vanguardistas retomam referências construídas décadas atrás. Segundo ele, muitas atitudes associadas à novidade remontam a artistas como Madonna, Michael Jackson e Prince.

“A gente vive um período onde é indiscutível que o que a gente vive é uma reciclagem do que já foi feito. De alguma forma, o que a gente escuta, o que é performado, ou a postura de palco… Às vezes as pessoas falam: ‘uau, como essa pessoa é vanguardista!’. Não é. Ela só está pegando uma postura que a Madonna teve lá atrás e reciclando. A mesma coisa musicalmente com Michael Jackson, Prince… Toda essa galera fez o que está sendo ouvido hoje”, afirmou o artista.

Quem sucede Michael Jackson, segundo Teaser

Teaser apontou nomes contemporâneos que, na visão dele, incorporam a herança do Rei do Pop e de outras referências dos anos 80. Ele citou Bruno Mars e The Weeknd como exemplos de artistas que trazem a sonoridade, os falsetes e o balanço herdados de Michael Jackson. Já Lady Gaga e Beyoncé, para Teaser, dominam o impacto visual, a mistura de eras estéticas e a atitude performática iniciadas por Madonna e por Jackson.

O músico também comentou a origem de algumas ideias que marcaram a carreira de Jackson: “O Michael fazia uma coisa muito atual para a época, mas a influência vinha de um musical, de um clássico. ‘Beat It’ revolucionou e abriu portas para artistas negros em rádios brancas, mas o start surgiu do musical ‘West Side Story’. A inspiração para o clipe de ‘Smooth Criminal’ veio de um filme do Fred Astaire”, pontuou, ressaltando a importância da bagagem cultural histórica para a longevidade de um trabalho.

O ritmo das plataformas e a perda de experimentação

Rodrigo Teaser atribuiu a menor originalidade no pop contemporâneo ao ritmo acelerado imposto pelas plataformas digitais. Contrapondo esse modelo ao processo de criação de Michael Jackson, ele lembrou que o Rei do Pop gastava meses experimentando sons — por exemplo, gravando chaves caindo ou vidros quebrando à mão — para criar texturas únicas.

Imagem: Divulgação

“Hoje a pressa da produção não permite que o artista experimente. Mas o Michael entendia que, se fizesse uma visita para o passado pensando no futuro, o trabalho abrangeria um período de tempo muito longo. Talvez ele não fizesse ideia de que estaria hoje no topo do Spotify Global, com músicas lançadas há mais de 40 anos. Isso é um negócio que nem ele podia imaginar.”

Teaser reforça, assim, sua leitura de que a atual safra pop utiliza referências históricas para construir imagens e sons que, embora sejam percebidos como novos, têm raízes bem estabelecidas nas décadas anteriores.

Com informações de Portalpopline