A Royal Enfield elevou o Brasil de mercado-teste a prioridade estratégica da marca, segundo seu CEO global, B. Govindarajan. A mudança ficou explícita com a visita do executivo e de todo o board da empresa ao país no início de abril — a primeira vez que a diretoria completa esteve no Brasil.
Em entrevista exclusiva à Forbes Brasil, Govindarajan afirmou: “O Brasil é o próximo grande mercado da Royal Enfield fora da Índia.” A declaração veio acompanhada de dados históricos e recentes: fundada em 1901 na Inglaterra, a marca desembarcou no Brasil em 2017 e, nos últimos três anos, acelerou um plano que combinou novos modelos, expansão da rede e maior produção local. “Triplicamos nosso volume no Brasil em três anos”, disse o executivo.
Contexto de mercado
O cenário local também contribuiu para a estratégia. Segundo a Fenabrave, os emplacamentos de motocicletas no Brasil subiram 17,13% em 2025, para 2.197.308 unidades, ante 1.875.890 em 2024. Em comparação, o mercado de carros cresceu 2,58% no mesmo período. A Royal Enfield encerrou 2025 como a sexta marca no ranking geral, com 31.077 motos vendidas — resultado que supera projeção inicial da empresa de 25 mil unidades em dois ou três anos.
Posicionamento e produção
Para Govindarajan, a empresa não se posiciona nem como marca de luxo nem como de entrada: “Não somos uma marca cara nem de entrada; somos uma marca de valor, com motos premium em um preço acessível.” Segundo ele, esse posicionamento explica a aceitação no mercado brasileiro. Atualmente, todas as motos vendidas no país são montadas na Zona Franca de Manaus no regime CKD, com peças vindas da Índia. No entanto, a operação local avança: a companhia planeja instalar uma fábrica própria para “controlar nosso próprio destino em logística e manufatura no Brasil.”
Rede, lançamentos e desempenho
A expansão comercial inclui hoje 60 concessionárias em todas as cinco regiões do país. No segmento custom, onde a marca tem forte presença, cinco das dez motos mais vendidas de 2025 foram da Royal Enfield, segundo a Fenabrave; a Hunter 350 liderou esse recorte com 7.293 unidades vendidas.
Um destaque do ano foi a Himalayan 450, lançada em abril de 2025: apesar de chegar com três meses de atraso, fechou o ano com 6.732 emplacamentos e quase 20% de participação no segmento, tornando-se líder. O modelo tem preço inicial de R$ 29.990, motor de 452 cc, rodas de 21 polegadas na dianteira e 17 na traseira, e painel com navegação integrada em tela circular.
Imagem: Divulgação
No plano global, a Royal Enfield vendeu cerca de 1,2 milhão de motocicletas no ano anterior, crescimento de quase 29% ante o ano anterior, e detém aproximadamente 89% de participação de mercado na Índia na faixa entre 250 cc e 750 cc. Sobre eletrificação, Govindarajan disse que a empresa não está em uma corrida apressada: “Não estamos numa corrida apressada para lançar elétricos, mas precisamos estar prontos quando o cliente pedir uma Royal Enfield elétrica.”
O conjunto de ações — visita do CEO e do board, salto para 31 mil motos vendidas, ampliação da rede e intenção de montar fábrica própria — indica, na avaliação da empresa, que a operação brasileira deixou de ser periférica. Como resumiu Govindarajan: “Se o mercado crescer 5% ou 6%, nós vamos crescer acima dele.”
Com informações de Forbes

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6