Victoria’s Secret dispara 47% após ajuste de rota: por que a aposta nos sutiãs virou lucro

Resultado acima do esperado, nova meta de receita e mudança de foco que acelerou a recuperação

As ações da Victoria’s Secret registraram a maior alta diária da história da companhia ao saltarem 47% em um único pregão. O motivo: vendas melhores do que o mercado esperava e a elevação das projeções anuais — sinais claros de que a reestruturação comandada pela CEO Hillary Super vem surtindo efeito.

No trimestre encerrado em 2 de maio, a varejista divulgou receita líquida de US$ 1,56 bilhão e reajustou sua meta de faturamento para até US$ 7,13 bilhões, acima do teto anterior. Analistas também destacaram ganhos em vendas comparáveis e estimativas melhores para o período seguinte.

Por trás do salto

O movimento não é apenas reflexo de números: tem estratégia. A empresa concentrou esforços na categoria de sutiãs e no reposicionamento da marca Pink, voltada ao público mais jovem. Essa combinação aumentou a conexão com consumidoras e virou tração em mercado-chave.

Parte da volatilidade se explica pelo alto nível de posições vendidas — cerca de 19% das ações disponíveis estavam em short, segundo dados do mercado — o que intensificou os movimentos de preço no pregão de forte alta.

Além das melhorias operacionais, a companhia adotou mudanças simbólicas, como a troca do ticker para VSXY, sinalizando um reposicionamento completo da marca e da comunicação com o mercado.

Executivos relataram crescimento consistente: já são quatro trimestres seguidos com aumento de receita na comparação anual. O ganho de participação foi mais visível entre mulheres de 18 a 44 anos, com avanços tanto nas faixas de renda mais baixas quanto nas mais altas, e um aumento nas vendas sem desconto — indicador de maior valor percebido pelos clientes.

Imagem: Getty

Analistas do mercado interpretaram os números como uma virada operacional. Desde a reconfiguração do portfólio até ajustes na cadeia e na precificação, a empresa tem conseguido reter compradores antigos e atrair públicos novos.





O quadro ainda tem disputa entre acionistas: o fundo BBRC International, ligado a Brett Blundy, pediu votos contra a presidente do conselho, evidenciando tensões que agora avançam para a assembleia marcada para 11 de junho. A votação será um termômetro para a continuidade do plano executado pela gestão.

O salto nas ações consolidou uma recuperação que vinha se desenhando nos últimos trimestres. Para investidores e concorrentes, a lição é clara: decisões estratégicas focadas em produto e público-alvo podem virar resultado rapidamente — e transformar a narrativa de uma marca tradicional em uma história de recomeço.