A série Emergência Radioativa, lançada pela Netflix em 18 de março, dramatiza a tragédia envolvendo exposição ao Césio-137 ocorrida em Goiânia e traz à tela a história de uma menina chamada Celeste, personagem inspirada na vítima real Leide das Neves Ferreira. A produção mostra, de forma ficcionalizada, a rápida deterioração da criança após o contato com o material radioativo.

Como ocorreu a contaminação

Segundo relatos da mãe da vítima, Lourdes das Neves, a contaminação de Leide foi consequência do desconhecimento do pai, Ivo Alves Ferreira. O material radioativo fazia parte de uma máquina de radiologia vendida a um ferro-velho de propriedade de Devair Alves Ferreira. De acordo com Lourdes, Ivo abriu o equipamento com uma chave de fenda, retirou um pouco do pó, colocou em um papel e levou para casa.

O episódio ocorreu no dia 24 de setembro de 1987, quando o pó foi deixado no chão de um cômodo da residência. Leide teria passado horas brincando com o material, atraída pelo brilho que ele emitia no escuro. Lourdes conta que percebeu algo errado ao ver a filha pegar um ovo cozido com as mãos contaminadas; poucos minutos após comer o alimento, a menina começou a passar mal.

Atendimento e desfecho

Nos dias seguintes, a saúde de Leide se agravou. Ela foi atendida no Hospital de Doenças Tropicais e no Hospital Geral de Goiânia antes de ser transferida para o Hospital Naval Marcílio Dias, no Rio de Janeiro, local onde a mãe a viu viva pela última vez. A menina morreu em 23 de outubro, vítima de síndrome aguda por radiação. A exposição ao Césio-137 provocou rápida deterioração do organismo, e os tratamentos não foram suficientes para evitar o óbito.

Impacto sobre sobreviventes e reação à série

O caso de Leide é um dos mais emblemáticos da tragédia radioativa por envolver uma criança. Além dela, outras três pessoas morreram e foram enterradas em caixões revestidos por chumbo. Sobreviventes relatam sequelas e dependem de uma pensão do governo, que, segundo esses afetados, não é reajustada há anos e não cobre os custos médicos.

Imagem: Divulgação

Muitos dos que passaram pelo acidente dizem sentir-se desrespeitados pela produção de Emergência Radioativa. Alega-se que a equipe não consultou os atingidos, que a gravação ocorreu longe de Goiás e que a série reabriu feridas sem a devida sensibilidade. Lourdes também afirma ter sido obrigada a se desfazer de objetos que eram lembranças de Leide por conta da contaminação; ela perdeu a casa por razões semelhantes. O ex-marido Ivo morreu em 2003 de enfisema pulmonar.





A dramatização trouxe novamente à tona memórias dolorosas entre quem viveu o acidente, ao mesmo tempo em que revisita um episódio que continua a marcar Goiânia.

Com informações de Tecmundo