Pesquisas recentes apontam que a atividade sexual, especialmente quando envolve orgasmo e vínculo afetivo, pode favorecer a qualidade do sono e funcionar como alternativa natural a medicamentos ou suplementos para quem tem dificuldade para adormecer ou manter o descanso noturno. O tema ganhou mais atenção em estudos realizados desde 2023 e em 2025, quando o aumento de problemas relacionados à insônia tornou a investigação mais relevante.

Como sexo e sono se relacionam

Segundo estudos, a intimidade sexual estimula a liberação de substâncias que ajudam o corpo a sair do estado de alerta. Entre elas está a oxitocina, associada à sensação de vínculo e confiança, que atua em conjunto com a redução do cortisol, o hormônio do estresse. Também ocorrem liberações de serotonina — ligada ao bem-estar — e de prolactina, que costuma aumentar após o orgasmo e está associada a uma queda temporária da excitação e a sensação de sonolência.

Efeitos sobre a qualidade do sono

Uma revisão científica publicada em 2023 analisou dezenas de estudos e encontrou associação entre a frequência de relações sexuais e parâmetros como tempo total de sono, ocorrências de despertar noturno e sensação de descanso ao acordar. Em um experimento na Austrália, participantes monitorados em casa por dispositivos de rastreamento mostraram que, nas noites com relação sexual ou masturbação antes de dormir, o tempo acordado durante a madrugada foi menor — em média cerca de sete minutos a menos — do que em noites sem atividade sexual.

Os efeitos foram mais evidentes entre mulheres, que apresentaram maior tempo total de sono e menos despertares após sexo com parceiro ou atividade sexual solitária. Pesquisadores atribuem a diferença a variações hormonais, à resposta corporal ao orgasmo ou a fatores psicológicos ligados ao relaxamento e à sensação de segurança após a intimidade.

Limitações e contexto

Especialistas destacam que o efeito relaxante do sexo antes de dormir não é universal. Fatores como nível de estresse, qualidade da relação afetiva, presença de dor durante a relação e o momento em que a atividade ocorre podem interferir nos resultados. Em situações de conflito ou ansiedade intensa, a relação sexual pode não produzir os mesmos efeitos observados em estudos controlados.

Profissionais recomendam entender a intimidade como parte de uma higiene do sono mais ampla, que inclui práticas como reduzir o uso de telas pelo menos uma hora antes de deitar, evitar refeições pesadas perto da hora de dormir, manter o quarto escuro e silencioso e reservar o ambiente para sono e relações sexuais. Essas medidas, combinadas com a atividade sexual, podem ajudar na transição do estado de vigília para o sono.

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Como testar na prática

Para quem quiser verificar se o sexo ajuda no descanso, a regularidade e a qualidade da interação são pontos importantes. Registrar horários da atividade sexual, tempo até adormecer, ocorrências e duração de despertares noturnos e sensação ao acordar por alguns dias ou semanas pode ajudar a identificar padrões. Em casos de insônia persistente ou distúrbios do sono, a orientação de profissionais de saúde é recomendada para avaliar causas específicas e definir tratamento.

O relato de pesquisas e recomendações sugere que, embora os estudos apontem tendências gerais, a resposta individual varia e a avaliação profissional é indicada quando o problema persiste.

Com informações de Correiobraziliense