Simon Cowell, magnata da mídia e criador de formatos como America’s Got Talent, afirmou que não vê sentido em trabalhar às sextas-feiras e defendeu a adoção de uma semana de trabalho mais curta. A declaração foi repercutida em transmissão na Band, às 5h30 (Brasília UTC-3).

O empresário britânico, de 66 anos, disse ao tablóide The Sun e reiterou a posição no podcast The Diary of a CEO, afirmando que abandona a rotina tradicional de cinco dias de trabalho e que não acredita que “ninguém deveria trabalhar cinco dias por semana”.

Segundo Cowell, as sextas-feiras passaram a ser reservadas a compromissos pessoais, como passar tempo com o filho Eric — incluindo viagens de carro de 25 milhas para comprar um card de Pokémon. O executivo também listou regras que considera essenciais para manter o equilíbrio entre vida pessoal e profissional: jantar às 17h, não atender ligações nem ler e-mails após as 17h30, assistir a filmes alegres e passar tempo ao ar livre.

Por que, segundo pesquisas, trabalhar às sextas é menos comum

Estudos citados no relato indicam que muitos trabalhadores evitam estar no escritório nas sextas-feiras. O Nationwide Office Building Index, da Placer.ai, que monitora o fluxo em prédios comerciais dos EUA desde 2019, identificou que a maioria das presenças ocorre de terça a quinta; no ano passado, apenas 12,4% das visitas ao escritório em dias úteis aconteceram na sexta-feira.

Executivos do setor imobiliário também reconheceram a mudança: Steven Roth, presidente da Vornado Realty Trust, afirmou que as sextas-feiras nos escritórios estão “mortas para sempre”. O ex-prefeito de Nova York e bilionário Michael Bloomberg chegou a dizer que trabalhadores remotos costumam jogar golfe nas sextas — observação que ganha respaldo em estudo da Universidade Stanford, que apontou maior movimento em campos de golfe por volta das 16h em dias úteis.

Pesquisas sobre produtividade indicam uma queda no desempenho nas sextas, com estimativas de redução entre 20% e 35% na conclusão de tarefas quando comparado a dias como segunda e terça-feira. A ausência de colegas também dificulta a marcação de reuniões e reduz a probabilidade de respostas a e-mails no último dia útil.

Imagem: Getty Images

Resultados de testes e adoção da semana de quatro dias

O apoio à semana de quatro dias tem crescido entre empresas e países. Grandes corporações, incluindo a Samsung, têm experimentado jornadas mais curtas. Pilotos do modelo “100:80:100” — pagamento integral por 80% do tempo em troca de manutenção total da produtividade — tiveram resultados positivos em diversos locais.

No Reino Unido, o maior teste mundial do modelo registrou redução de 65% nos dias de licença médica, manutenção ou melhora da produtividade, e queda de 57% na probabilidade de demissão, além de um aumento de 35% na receita das empresas em comparação ao mesmo período de seis meses de 2021. Na Islândia, testes realizados entre 2015 e 2019 levaram a acordos que dão aos trabalhadores o direito de solicitar uma semana mais curta. Em 2021, diretrizes do governo japonês recomendaram que empresas permitissem a opção de uma semana de quatro dias.

As declarações de Cowell entram nesse contexto de debate sobre flexibilização da jornada e práticas de trabalho que priorizam a redução de dias presenciais sem perda de produtividade.

Com informações de Infomoney