O crescimento econômico mundial tem surpreendido analistas ao descumprir previsões convencionais, aponta relatório recente do Banco Mundial. Indicadores antes tidos como confiáveis, capazes de antecipar recessões e reações de consumidores, empresas e investidores, mostram-se cada vez mais imprecisos.
Nos Estados Unidos, a confiança do consumidor alcançou o nível mais baixo em 12 anos, segundo pesquisa sobre percepção de preços e mercado de trabalho. Ainda assim, os gastos das famílias seguem em alta constante. “É notável que o mercado de ações não tenha apresentado oscilações maiores”, observa Kenneth Rogoff, autor de “Our Dollar, Your Problem”.
O volume de investimentos empresariais também desafia os manuais econômicos. “Esperava-se que a incerteza prejudicasse o crescimento, mas não há sinais claros desse impacto”, afirma Neil Shearing, economista-chefe da Capital Economics. Ele destaca que o investimento corporativo nos EUA continua robusto, o que contraria a expectativa de que empresas freassem projetos diante das incertezas.
Analistas apontam que a pandemia de covid-19 e a mudança na ordem geopolítica, acelerada pelas políticas de Donald Trump, romperam padrões históricos. A transição de um comércio global baseado em regras para um cenário de mercantilismo e tensões entre potências adicionou volatilidade às previsões.
Uma das métricas mais conhecidas, a Regra de Sahm, que relaciona o aumento súbito do desemprego a recessões, falhou em prever o suposto ciclo econômico de 2024. Da mesma forma, a inversão da curva de juros — quando títulos de curto prazo oferecem rendimentos superiores aos de longo prazo — também não sinalizou com precisão uma contração econômica em 2022 e 2023.
O comportamento do dólar reforça o descompasso. Tradicionalmente um ativo-refúgio, a moeda americana caiu para sua menor cotação em anos, contrariando a tese de valorização em tempos de incerteza. Parte dessa fraqueza é atribuída ao receio de interferência de Trump na independência do Federal Reserve e ao impacto das tarifas impostas na última temporada.
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O consumo, por sua vez, está concentrado em fatias de maior renda. Estimativas da Moody’s Analytics indicam que os 10% mais ricos respondem por quase metade dos gastos das famílias. Já o restante da população mantém o consumo, mas migra para redes de desconto e adapta seus hábitos: cresce a procura por supermercados e diminui a frequência em restaurantes.
Para o economista Barry Eichengreen, da Universidade da Califórnia em Berkeley, a complexidade do cenário atual e as mudanças estruturais tornam cada vez mais frágeis as “regras práticas” usadas por especialistas. “Não é surpreendente que métodos consolidados estejam falhando diante de transformações rápidas”, conclui.
Com informações de Infomoney

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6