A plataforma Skeelo, uma das maiores da América Latina em audiobooks e e-books, anunciou um plano de investir R$ 500 milhões no mercado editorial até 2030. O aporte incluirá aquisição de direitos autorais, compra de títulos junto às editoras, patrocínio a eventos literários e ações de marketing voltadas a autores e leitores.

De acordo com o plano a que o Brazileconomy teve acesso em primeira mão, cerca de 80% desse montante será direcionado ao fortalecimento do acervo. A meta é ampliar o catálogo disponível nas plataformas digitais e oferecer um portfólio cada vez mais diversificado.

Criado em 2019 pelos sócios Rodrigo Meinberg e Rafael Lunes, o Skeelo encerrou 2025 com receita de R$ 160 milhões. Com expansão dos negócios no Brasil e início das operações em outros países da América Latina, a empresa projeta quase triplicar esse valor e alcançar R$ 500 milhões em faturamento até 2027.

Atualmente com um catálogo de 200 mil títulos em parceria com grandes editoras, o aplicativo registra mais de 2 milhões de usuários ativos por mês e contabiliza 286 milhões de minutos de leitura consumidos. Entre as obras disponíveis está “Estação Carandiru” (1999), narrada pelo autor Drauzio Varella.

Para os próximos cinco anos, o Skeelo pretende chegar a 15 milhões de usuários únicos mensais, ultrapassar 14 bilhões de minutos de leitura anuais e consolidar o maior e mais qualificado acervo de e-books e audiolivros. A estratégia inclui também o desenvolvimento de experiências complementares que fortaleçam o ecossistema da leitura digital.

Mercado brasileiro

Segundo Rafael Lunes, vice-presidente da empresa, o hábito de leitura no Brasil migrou do físico para o digital, sem ser devidamente captado nas pesquisas tradicionais. Dados da sexta edição da pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil” apontam 93,4 milhões de leitores — 47% da população —, número oito pontos percentuais abaixo de 2007.

“Nossa tese é de que a leitura não está diminuindo, mas migrando para formatos ainda não monitorados”, afirmou Lunes. Para reverter esse cenário, o Skeelo planeja um novo ciclo de crescimento pós-pandemia, posicionando a leitura no centro do conhecimento digital.

“Nos últimos cinco anos investimos cerca de R$ 120 milhões em um modelo de distribuição de leitura digital referência no mercado. Agora vamos quadruplicar esse valor para acelerar acesso, escala e impacto”, disse Rodrigo Meinberg, cofundador e CEO do Skeelo.

Tecnologia como aliada

Para os executivos, a tecnologia elimina barreiras de acesso e tempo, permitindo que a leitura ocupe novamente espaço central na cultura e no entretenimento. Como parte dessa estratégia, o Skeelo patrocinou mais de 30 eventos literários nos últimos cinco anos e pretende dobrar esse número até 2030, incluindo iniciativas próprias que unam literatura, tecnologia e comunidade.

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O investimento também alcançará o Skoob, rede social de leitores adquirida em 2024. A melhoria do produto envolverá personalização, evolução de funcionalidades e aprimoramento da experiência do usuário, com o objetivo de tornar a leitura tão envolvente quanto assistir a um vídeo ou ouvir música.

Internacionalização

Em dezembro de 2025, o Skeelo iniciou sua entrada no mercado mexicano, anunciada na Feira Internacional do Livro de Guadalajara. Para 2026, está previsto investimento de R$ 60 milhões no país, sendo R$ 38 milhões destinados exclusivamente à compra de direitos autorais. O foco é concluir a migração do acervo e oferecer um amplo catálogo em espanhol, com obras mexicanas e internacionais.

A parceria com a Izzi, do Grupo Televisa, permite que milhões de clientes já tenham acesso ao catálogo do Skeelo. No Brasil, o modelo B2B2C funciona com operadoras como Vivo, Claro e empresas como Sem Parar, totalizando cerca de 200 clientes corporativos que disponibilizam e-books e audiolivros a seus usuários.

O ambiente regulatório semelhante em vários países da América Latina, que concede imunidade tributária ao livro físico e digital, favorece a expansão. Além do México, o Skeelo estuda chegar em Argentina, Colômbia e Peru nos próximos anos.

Com uma combinação de investimentos robustos, tecnologia e internacionalização, o Skeelo pretende escrever um novo capítulo no mercado editorial digital.

Com informações de Brazileconomy