SPC Summit 2026 reúne mais de 500 especialistas e aponta dados e IA como base para transformar crédito em motor de crescimento
O SPC Brasil promoveu o SPC Summit 2026 na Casa Petra, em São Paulo, reunindo mais de 500 profissionais de diferentes setores para debater o futuro do crédito e da recuperação em um momento marcado por alta inadimplência, juros elevados e aceleração da transformação digital. O encontro ocorreu sob o tema “Transformando riscos em oportunidades na jornada de crédito e recuperação”.
Panorama econômico e desafios para 2026
Na abertura, o economista Pablo Spyer, sócio da XP Inc. e CEO da Vai Tourinho S.A., traçou um cenário global tenso, com taxas de juros elevadas, pressões inflacionárias e incertezas na política monetária internacional. Spyer destacou que fatores como tensões geopolíticas e a volatilidade nas commodities continuarão a influenciar o ritmo de crescimento das economias, e apontou que a combinação de juros altos com inflação global representa o principal risco para a retomada econômica.
Diante desse contexto, foi ressaltada a necessidade de maior rigor na concessão de crédito, sobretudo considerando o elevado nível de endividamento das famílias brasileiras.
Crédito como estratégia de negócios e jornada do cliente
Ao longo dos painéis, participantes enfatizaram que o crédito deixou de ser uma mera operação financeira e passou a ser uma alavanca de crescimento, capaz de impactar receita, fidelização e experiência do consumidor. Entre os debatedores do painel “Crédito: a ferramenta de aumento de relacionamento e resultados para o seu negócio” estiveram Francimari Oliveira (Ceape), Uilson Fernando Zamboni (Lojas Koerich e KAB) e Estefânia Nascimento (Armazém Paraíba).
Os painelistas defenderam que oferecer crédito envolve construir relacionamento e confiança; Estefânia reforçou que modelos como o crediário são fundamentais para consolidar vínculos duradouros com o consumidor. Na prática, o crédito acompanha o cliente desde a entrada na base até a gestão ativa da carteira, com iniciativas como revisão de limites, estímulo ao consumo, prevenção de inadimplência e reativação de clientes.
Modelos preditivos, inteligência artificial e dados alternativos
O avanço dos modelos preditivos e da inteligência artificial foi outro eixo central do evento. No painel que reuniu Luiz Alberto Francischini (Berlanda), Vilásio França Pereira Júnior (Jeitto) e Paulo Cirino (BTG Empresas), foi discutida a evolução da gestão de crédito de análises pontuais para decisões contínuas pautadas no comportamento do cliente ao longo da jornada.
Os especialistas destacaram que o problema deixou de ser a falta de informações e passou a ser a capacidade de organizar, selecionar e transformar dados em decisões estratégicas. Nesse cenário, dados alternativos — como padrões de consumo, interações digitais, localização e indicadores econômicos regionais — ampliam a leitura de risco e enriquecem modelos de decisão.
Apesar do peso crescente de algoritmos, o painel também lembrou que o fator humano permanece importante, especialmente quando o relacionamento próximo com o cliente influencia resultados.
Cobrança personalizada e o dilema entre velocidade e segurança
No debate sobre cobrança na era da personalização, com a participação de Erlandson Soares Batista (Nova Era), Paulo Henrique Leite Saraiva (Crisdu) e Fernando de Ornelas Grillo (Grupo Muffato e Zonta), foi enfatizado que tratá‑los de maneira homogênea é um erro. Grillo apontou que compreender comportamento, perfil e momento do consumidor é mais eficaz do que focar apenas no valor da dívida.
A nova abordagem de cobrança, baseada em segmentação e uso intensivo de dados, não só aumenta a eficiência de recuperação como reduz atritos e fortalece o relacionamento com o cliente.
A questão da digitalização e do crédito instantâneo trouxe outro dilema: equilibrar experiência do cliente com segurança operacional. Bruno Lozi (Founder & CEO da Credits) defendeu olhar para eventos, comportamentos e probabilidades, em vez de avaliar apenas o histórico da dívida. Pedro Barbosa (Alvo) alertou que maior velocidade no crédito tende a elevar o risco, ressaltando a necessidade de encontrar um ponto de equilíbrio entre agilidade e qualidade das decisões. Também participaram deste painel Fabrício Rocha (Banco do Nordeste) e Lúcio Araújo Lustosa Vieira (Flávios Calçados).
IA, varejo e o futuro do crédito
Para encerrar, o especialista em varejo Alberto Serrentino afirmou que a inteligência artificial está promovendo mudanças estruturais no setor, acelerando processos e elevando a velocidade das tomadas de decisão. Serrentino também destacou a crescente adoção de modelos de ecossistema, em que empresas integram produtos, serviços e parceiros em plataformas centradas no cliente e orientadas por dados.
Mesmo com o avanço tecnológico, ele reforçou a relevância dos canais físicos, desde que alinhados às estratégias digitais e à análise de dados.
A mensagem final do SPC Summit 2026 foi consensual: o futuro do crédito dependerá da capacidade das empresas de transformar dados em decisões inteligentes e personalizadas. Como lembrou Roque Pellizzaro Jr., presidente do SPC Brasil, o crédito segue sendo peça-chave para o negócio e um aliado direto da força de vendas e do crescimento das empresas.
Font: Jean Sfakianakis

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6