A LemonLime, startup de inteligência artificial apoiada pela aceleradora Y Combinator, organizou uma ação durante uma festa realizada após o evento YC Startup School em que prometeu entrevistas de emprego imediatas a quem fizesse tatuagens permanentes relacionadas à empresa. A iniciativa foi anunciada pelo cofundador Jordan Zietz em uma publicação que depois foi removida, e, segundo ele, sete pessoas aceitaram a proposta.

De acordo com relatos de participantes e registros em redes sociais, a empresa levou um tatuador profissional ao evento e divulgou cartazes convidando os presentes a tatuarem símbolos ligados à LemonLime em troca da garantia de uma entrevista. Imagens publicadas por usuários, entre elas postagens de Lucas Chu no LinkedIn, mostraram materiais no local com frases como “entrevista imediata para quem fizer uma tatuagem”.

A repercussão nas redes sociais foi negativa. Usuários criticaram a prática como exploração do mercado de trabalho e do desespero de candidatos. Um dos compartilhamentos no X apontou que a situação indicava um nível preocupante de competitividade entre quem busca emprego, enquanto outros comentários classificaram a ação como inapropriada e arriscada para os participantes, chegando a ironizar o cenário de alguém ficar com uma tatuagem permanente após eventual rejeição.

Pedido de desculpas e medidas

Diante da reação pública, Zietz voltou às redes para reconhecer o erro e pediu desculpas. Ele afirmou que o que havia sido pensado como uma forma divertida de aproximar pessoas transformou-se em atitude irresponsável, uma vez que criou a impressão de vinculação entre fazer uma tatuagem permanente e obter uma oportunidade de trabalho. O cofundador destacou que, mesmo permitindo que os participantes escolhessem seus próprios desenhos, deveria ter percebido a pressão que a associação com o processo de contratação poderia gerar.

Segundo Zietz, a LemonLime removeu todas as publicações relacionadas ao evento, entrou em contato com os participantes que fizeram tatuagens e se comprometeu a custear a remoção das marcas para quem se arrepender no futuro. Ele também afirmou que as entrevistas estariam disponíveis para qualquer candidato, independentemente de ter feito ou não uma tatuagem.

Startup ofereceu entrevista a quem fizesse tatuagem em evento; CEO pediu desculpas

Imagem: Ap

O episódio trouxe visibilidade à startup, mas também críticas sobre ética em recrutamento e limites entre ações promocionais e seleções de profissionais. Zietz concluiu a manifestação reconhecendo que havia se deixado levar e que não há justificativa para a iniciativa.

Com informações de Fastcompanybrasil