Suplemento de colostro tem salto de vendas nos EUA após promoção por celebridades

Publicado em: 18/02/2026

O colostro bovino, o primeiro leite produzido por mamíferos após o parto e fonte concentrada de proteínas, gorduras, vitaminas, minerais e imunoglobulinas A (IgA) e G (IgG), voltou a ganhar destaque no mercado de bem-estar dos Estados Unidos. Dados comerciais recentes mostram um crescimento expressivo nas vendas do ingrediente na forma de suplementos, impulsionado em grande parte pela divulgação feita por figuras públicas.

Vendas dispararam em curto período

Segundo levantamento da NielsenIQ, os consumidores norte-americanos gastaram mais de US$ 19 milhões em suplementos de colostro nas 52 semanas encerradas em 3 de janeiro de 2026. Esse montante representa um aumento superior a 3.000% em comparação com o faturamento de cerca de US$ 612 mil registrado dois anos antes. Além das vendas diretas do suplemento, outros cerca de US$ 3 milhões foram aplicados em produtos que incluem colostro como ingrediente nas suas formulações.

Influência de celebridades e marcas em evidência

O crescimento chamou atenção depois que influenciadores e artistas passaram a mencionar o produto. Entre as empresas mais conhecidas está a Armra, criada em 2021, cuja divulgação ganhou impulso ao ser associada a celebridades: a atriz Jennifer Aniston já citou a marca e a cantora Dua Lipa relatou utilizar o produto em sua rotina matinal, segundo reportagem da revista Vogue.

Origem do produto e alegações do fabricante

A fundadora e diretora-executiva da Armra, a médica Sarah Rahal, explica que decidiu desenvolver o suplemento após observar aumento de doenças crônicas entre seus pacientes e enfrentar problemas digestivos pessoais. De acordo com Rahal, a formulação levou dois anos para ser concluída. A empresa seleciona colostro proveniente de vacas criadas a pasto nos Estados Unidos e afirma ter criado um método próprio de pasteurização com o objetivo de preservar os nutrientes presentes na matéria-prima.

Rahal também sustenta que o colostro proporciona benefícios que, na visão dela, ajudam a restaurar mecanismos biológicos fundamentais do organismo, independentemente da idade de quem o consome.

Especialistas pedem cautela e mais evidências

Apesar do ritmo acelerado de vendas, cientistas e especialistas em saúde pedem prudência. Timothy Caulfield, professor da Escola de Saúde Pública da Universidade de Alberta, observa que o movimento segue um padrão já visto com outros suplementos: o apelo inicial costuma ser conduzido por estratégias de marketing e atenção de celebridades, enquanto avaliações posteriores da literatura científica frequentemente encontram efeitos pequenos ou inexistentes.

Jeffrey Bland, cofundador do Instituto de Medicina Funcional, admite que o colostro pode ter aplicações pontuais, por exemplo em alguns distúrbios intestinais, mas ressalta que são necessários estudos clínicos mais robustos para estabelecer recomendações gerais sobre o seu uso em adultos.

Regulação e variabilidade do produto

Os especialistas lembram ainda que suplementos alimentares não estão sujeitos ao mesmo nível de fiscalização e testes exigidos para medicamentos. A composição do colostro pode variar conforme o processamento, a raça dos animais, a alimentação e as condições de produção, o que impacta a uniformidade e a previsibilidade dos efeitos.

Por esse motivo, a orientação mais citada é que o consumo seja avaliado caso a caso, levando em conta o histórico e as necessidades individuais de cada pessoa.

As informações deste texto foram obtidas a partir de matéria da revista Exame, adaptadas pela equipe do MilkPoint. O MilkPoint se posiciona como um dos principais portais de informação sobre o mercado lácteo brasileiro, com foco no agronegócio, cadeia do leite e indústria de laticínios.