A revista britânica The Economist publicou nesta terça-feira (24) um extenso texto que liga ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) ao caso bilionário envolvendo o Banco Master e ao banqueiro Daniel Vorcaro, apontando repercussão internacional e desgaste institucional da Corte.
O artigo começa com a frase “Começou com um banqueiro que gostava de supermodelos e jatos particulares” e afirma que Vorcaro manteve ligações com “os juízes mais graduados do Brasil”. A reportagem também destaca a dimensão política do episódio em ano eleitoral, ao mencionar que candidatos de direita podem dominar o Senado em outubro e ter números suficientes para abrir processos de impeachment contra ministros do STF.
A publicação ressalta a animosidade da direita em relação ao Tribunal, em especial após a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro a 27 anos por tentativa de golpe, e avalia que o STF passou a ser mais alvo de críticas, tratando em algumas ocasiões questionamentos a seus integrantes como ataques à democracia.
Entre os citados, o texto foca no ministro Dias Toffoli, relator por sorteio do caso Master. A The Economist relata que Toffoli teria viajado em jato particular com advogado do banco, encurtado prazos para depoimentos e limitado o acesso de peritos da Polícia Federal a materiais apreendidos — última decisão posteriormente revertida. O artigo também menciona investimento de Vorcaro em resort ligado a irmãos de Toffoli e aponta relatório da PF enviado ao presidente do STF com indícios de possível conflito de interesse.
Segundo a revista, o relatório traz ligações telefônicas, reuniões e mensagens relacionadas a transferências de R$ 20 milhões destinadas a empresa vinculada ao ministro. Toffoli nega irregularidades, descreve as acusações como “especulação” e afirma que os valores foram declarados ao Fisco; depois, afastou-se da relatoria do caso.
O ministro Alexandre de Moraes também aparece na matéria. A publicação cita contrato considerado atípico entre a esposa de Moraes e o Banco Master e relata que, diante de indícios de vazamento de dados fiscais, Moraes determinou investigação sobre servidores da Receita Federal, operação que incluiu buscas, uso de tornozeleiras eletrônicas e restrições de viagem.
A revista questiona o uso do chamado “inquérito das fake news”, conduzido por Moraes desde 2019, observando que o procedimento tramita sob sigilo e que seu emprego para apurar servidores fiscais parece problemático. O texto lembra decisões anteriores de Moraes para encerrar investigações da Receita envolvendo autoridades e cita ordem de retirada de reportagem da revista Crusoé.
Imagem: Marcelo Camargo/ABr
O levantamento menciona ainda o evento anual promovido por Gilmar Mendes em Lisboa, apelidado “Gilmarpalooza”, e notas sobre recursos da J&F à universidade vinculada ao ministro. A publicação cita apuração do jornal O Estado de S. Paulo apontando 1.860 processos no STF ou no STJ em que parentes de ministros atuam como advogados principais, com 70% desses casos iniciados após a nomeação do familiar ao tribunal; antes da nomeação de Moraes, o escritório dirigido por sua esposa tinha 27 processos no STF e no STJ.
Diante das críticas, o presidente do STF, Edson Fachin, propôs a elaboração de um código de ética com a participação da ministra Cármen Lúcia para tratar conflito de interesses e transparência financeira. Toffoli e Moraes já declararam considerar a medida desnecessária.
O debate sobre as ligações entre integrantes do STF e atores do setor financeiro segue em evidência, com investigações e respostas públicas das autoridades envolvidas.
Com informações de Conexaopolitica

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6