Em Los Angeles, nesta semana, o TikTok firmou um acordo confidencial e se retirou do primeiro processo judicial que avalia a responsabilidade das redes sociais pelo vício digital e danos à saúde mental de adolescentes. A ação, movida por uma jovem de 20 anos identificada como K.G.M., investiga se plataformas como Meta, YouTube e TikTok desenvolveram recursos que estimulam o uso compulsivo entre menores.

A autora da ação afirma que a exposição prolongada durante a adolescência teria provocado problemas como distorção da imagem corporal, ansiedade, dependência, depressão e até pensamentos suicidas. Representantes do escritório Beasley Allen, liderados pelo advogado Joseph VanZandt, confirmaram que os termos do acordo com o TikTok permanecem sob sigilo.

TikTok fecha acordo e julgamento segue com Meta e YouTube

Após a saída do TikTok, o processo prossegue contra Meta (dona do Instagram) e o YouTube, cujas manifestações iniciais estão previstas para a próxima semana. A Snap, controladora do Snapchat, já havia fechado um acordo anterior e também deixou o caso nesta instância, mas segue como ré em outras ações semelhantes em diferentes tribunais.

O confronto judicial em curso é visto como um teste para quase 3 mil processos na Califórnia que alegam que empresas de tecnologia criaram produtos capazes de prender a atenção de jovens e levá-los a transtornos alimentares, dependência e ideação suicida. Na esfera federal, há mais de 2 mil casos movidos por indivíduos, distritos escolares e procuradores-gerais.

As empresas defendem que as acusações são enganosas e ressaltam investimentos em medidas de segurança online. Já os autores apontam documentos internos que revelariam conhecimento das plataformas sobre o potencial viciante de recursos como a rolagem infinita.

O julgamento, estimado em cerca de seis semanas, deve incluir depoimentos de executivos de destaque, como Mark Zuckerberg, presidente-executivo da Meta, e Adam Mosseri, chefe do Instagram. Os autores buscam indenizações por danos morais e punições financeiras.

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Em paralelo ao processo, uma pesquisa do Wall Street Journal indicou que 71% dos entrevistados apoiariam a proibição de redes sociais como Instagram e TikTok para menores de 16 anos. O modelo jurídico segue exemplos de ações históricas contra empresas de tabaco e farmacêuticas, que resultaram em acordos bilionários após acusações de omissão sobre riscos à saúde.

O desfecho deste caso poderá influenciar o andamento de milhares de ações semelhantes e definir parâmetros para a atuação de redes sociais em relação à proteção de usuários jovens.

Com informações de Olhardigital