Os Titãs abriram a turnê comemorativa de 40 anos do álbum Cabeça Dinossauro no último sábado, 28, no Espaço Unimed, em São Paulo, com um show de caráter predominantemente pesado e sem espaço para baladas. A apresentação também marcou o início de uma série de datas já anunciadas e outras previstas para serem confirmadas.
O espetáculo começou com a leitura de um documento histórico — um parecer da Divisão de Censura de Diversões Públicas (DCDP) — sobre a letra de “Bichos Escrotos”, faixa do disco de 1986 que teve parte do seu verso impedida de veiculação em 1987 por conter a expressão “vão se f#der”. Na noite de sábado, a plateia cantou em voz alta o trecho integral, alinhada ao tom de celebração do repertório.
O set list teve 25 músicas: as 13 faixas de Cabeça Dinossauro tocadas na ordem original, seguidas de outras 12 canções de diferentes momentos da carreira. A formação no palco contou com Sérgio Britto (voz e teclados), Branco Mello (voz e baixo) e Tony Bellotto (voz e guitarra), acompanhados pelos guitarristas Beto Lee e Alexandre de Orio e pelo baterista Mário Fabre.
O roteiro privilegiou timbres e arranjos mais pesados. Das 25 músicas, apenas “Anjo Exterminador” poderia ser classificada como balada, enquanto “Família” manteve a referência ao reggae, porém em versão que ressaltou os riffs em vez da levada sincopada. A presença de três guitarristas deu sustentação às partes mais agressivas, permitindo que Tony Bellotto se dedicasse a solos e detalhes.
Durante o show, Tony dedicou “Canção da Vingança” aos médicos que o operaram recentemente de um câncer no pâncreas. Sérgio Britto assumiu com mais destaque a posição de frontman, reduzindo o tempo nos teclados, e Branco Mello demonstrou a adaptação de sua voz após intervenções para remoção de tumores na garganta, com desempenho destacado em “Eu Não Sei Fazer Música” e “Nem Sempre Se Pode Ser Deus”, ambas na segunda parte da apresentação.
Além do álbum homenageado, o repertório trouxe várias canções de Jesus Não Tem Dentes no País dos Banguelas (1988) — como “Armas pra Lutar”, “Diversão” e “Lugar Nenhum” — e faixas de Titanomaquia (1993), incluindo “Será que é Isso que Eu Necessito?”. O grupo deliberadamente não escalou alguns dos hits mais lentos da carreira, como “Sonífera Ilha”, “Marvin” e “Epitáfio”.
Imagem: Divulgação
O público acompanhou com empolgação temas como “AA UU”, “Polícia” e “Homem Primata”, esta última iniciada por Sérgio a capella. Ao todo, o show durou cerca de 90 minutos, com 25 canções e poucas intervenções faladas entre as músicas.
A turnê seguirá por outras cidades: Belo Horizonte (BeFly Hall, 25/04), Rio de Janeiro (09/05, Qualistage) e Curitiba (18/07, Igloo Super Hall), com possibilidade de novas datas.
Com informações de Rollingstone

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6