Tres adolescentes do estado do Tennessee, nos Estados Unidos — duas delas menores de idade — entraram com uma ação contra a empresa de inteligência artificial xAI, fundada por Elon Musk, alegando que ferramentas da companhia foram empregadas para gerar imagens sexualizadas delas quando ainda eram menores. A petição, registrada nesta segunda-feira (16 de março de 2026), acusa a empresa de crimes que incluem distribuição, posse e produção com intenção de distribuir pornografia infantil.
Segundo a denúncia, a mãe de uma das jovens procurou a polícia após descobrir que fotos supostamente nuas da filha circulavam na internet. Autoridades informaram que as imagens teriam sido produzidas com o auxílio de recursos da xAI, em especial o chatbot conhecido como Grok.
Como ocorreu
O processo descreve que um suspeito preso em dezembro teria utilizado o Grok para editar fotografias das vítimas, incluindo uma imagem retirada do Instagram de uma das adolescentes, removendo digitalmente um biquíni azul para retratá-la sem roupas. As fotos manipuladas passaram a ser compartilhadas em plataformas como Discord e Telegram, onde teriam circulado nos últimos meses.
De acordo com a ação, o autor reuniu imagens e vídeos de mais de 18 garotas, muitas alunas da mesma escola, e alterou parte desse material com ferramentas de IA. Em alguns casos, as imagens editadas teriam sido trocadas em salas de bate-papo por outros conteúdos de abuso sexual infantil. A investigação criminal levou à prisão do suspeito em dezembro e à apreensão de material em seu telefone, segundo o documento.
Pedidos e alegações
Os três autores — incluindo duas menores — requerem indenizações por cada violação relativa à pornografia infantil e solicitam medidas judiciais para impedir que a empresa possibilite o uso de ferramentas de edição semelhantes. Os advogados afirmam que a xAI criou um ambiente em que a disseminação de material de abuso sexual infantil se tornou inevitável, alegando que a tecnologia e sua divulgação incentivaram a geração de imagens explícitas.
A representante legal das famílias, Vanessa Baehr-Jones, afirmou que o impacto sobre as vítimas pode ser permanente, destacando que as jovens enfrentarão ao longo da vida a circulação dessas imagens. A advogada Annika K. Martin, principal responsável pelo caso, disse que pretende questionar diretamente o fundador da xAI, Elon Musk, sobre a responsabilidade da empresa.
Os advogados também mencionam conclusões de especialistas independentes que indicaram que as imagens foram geradas por IA, especificamente pelo Grok, e que o autor teria recorrido a aplicativos intermediários projetados para “despir” pessoas, permitindo que usuários sem acesso direto aos sistemas da xAI explorassem suas capacidades.
Contexto mais amplo
O processo surge após críticas sobre recursos do Grok, como o modo “Spicy” e a ferramenta Grok Imagine, que teriam permitido criar versões sexualizadas de pessoas reais. Pesquisadores afirmam que milhões de imagens sexualizadas foram produzidas, incluindo cerca de 23 mil que pareciam retratar crianças, o que motivou investigações do procurador-geral da Califórnia, da Comissão Europeia e do regulador britânico de comunicações. Em janeiro, a xAI disse ter revertido algumas funções em certas jurisdições e já havia limitado a geração de imagens a usuários pagantes.
Imagem: Divulgação
Em respostas públicas anteriores, Elon Musk afirmou nas redes sociais que “não tenho conhecimento de nenhuma imagem nua de menores gerada pelo Grok. Literalmente zero.” Ele acrescentou que o chatbot recusa pedidos ilegais e que ataques de “hacking adversarial” poderiam provocar comportamento inesperado, afirmando ainda: “Se isso acontecer, corrigimos o bug imediatamente.” Musk também publicou que, na visão dele, se algo é permitido em um filme classificado como R, estaria permitido pelas ferramentas do Grok.
As autoras conheceram as imagens explícitas no fim do ano passado. Uma das jovens mencionadas no processo como “Jane Doe 1” recebeu mensagem no Instagram informando sobre a circulação de fotos sexualizadas no Discord. A ação afirma que uma imagem atribuída a ela foi criada a partir de uma foto do baile de boas-vindas em setembro de 2025 e outra a partir de uma foto do anuário escolar; a jovem “era menor de idade no período relevante”.
O processo sustenta ainda que editar fotografias reais de crianças para produzir representações sexualizadas configura criação de pornografia infantil, e cita que autoridades dos EUA já declararam ilegais representações sexualmente explícitas de menores geradas por computador. Os advogados alertam que as vítimas poderão receber notificações do National Center for Missing & Exploited Children por tempo indeterminado, informando que arquivos de abuso sexual infantil que as retratam foram possuídos, recebidos ou distribuídos por réus criminais.
O caso foi protocolado no tribunal federal do Distrito Norte da Califórnia e é descrito pelos autores como a primeira ação movida por vítimas menores relacionada ao escândalo de ferramentas capazes de “despir” pessoas em fotos.
Com informações de Olhardigital

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6