O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aumentou a pressão sobre a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) para apoiar a incorporação da Groenlândia, território autônomo da Dinamarca. Em publicações recentes, Trump classificou a ilha como “vital” para a instalação do chamado Domo de Ouro, sistema antimísseis destinado a defender o solo americano.

Domo de Ouro e interesses estratégicos

O Domo de Ouro (Golden Dome) é um projeto estimado em US$ 175 bilhões que combina satélites e interceptadores em terra para neutralizar mísseis em qualquer fase do voo, inspirado no Domo de Ferro de Israel. Segundo o presidente americano, a posição geográfica da Groenlândia é essencial para posicionar sensores e radares capazes de detectar e destruir ameaças hipersônicas.

Trump chegou a menosprezar a atual defesa da ilha, afirmando que ela depende de “dois trenós puxados por cães”, e defende que a Otan conduza o processo de transferência da Groenlândia para os EUA. Para ele, sem o controle da ilha, o Domo de Ouro não teria força dissuasória suficiente contra potências como Rússia e China. O republicano afirmou que os americanos tomarão a ilha “de um jeito ou de outro” e sugeriu que, sem cooperação da Dinamarca, a própria existência da Otan estaria em risco.

Além das motivações militares, Trump ressaltou que a aquisição da Groenlândia seria a maior expansão territorial dos EUA desde a compra do Alasca, apontando a meta de concluir o projeto até 2029, fim de seu mandato. Especialistas, porém, consideram o prazo otimista diante da complexidade técnica e questionam a viabilidade do financiamento.

Reação da Dinamarca e da União Europeia

Em resposta à ameaça de anexação, a Dinamarca e a União Europeia reforçaram a presença militar na Groenlândia. O governo dinamarquês enviou tropas e equipamentos especializados em logística e vigilância, e o ministro da Defesa, Troels Lund Poulsen, declarou que não haverá “concessões fundamentais”. Países como Reino Unido e Alemanha estudam uma operação conjunta da Otan no Ártico, apelidada de “extremo norte”, para impedir qualquer tentativa de invasão.

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A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, classificou a situação como uma “encruzilhada” crucial para o Ocidente e afirmou que a ilha não está à venda. Protestos locais refletem a insatisfação da população groenlandesa, que defende sua participação em qualquer decisão sobre o futuro do território.

Em paralelo às ameaças, representantes de EUA, Dinamarca e Groenlândia agendaram encontros em Washington com o secretário de Estado, Marco Rubio, e o vice-presidente J.D. Vance. A ministra groenlandesa Vivian Motzfeldt afirmou que nenhuma resolução será tomada sem consulta ao povo da ilha. Enquanto isso, a proposta oficial de uma “compra amigável” permanece em aberto, mas é rejeitada pelo governo dinamarquês e pelos habitantes locais, que afirmam não tratar a Groenlândia como mercadoria.

Com informações de Olhardigital