O presidente dos EUA, Donald Trump, reafirmou nesta terça-feira (7) um ultimato ao Irã, exigindo que a República Islâmica aceite um acordo de cessar‑fogo ou enfrente uma intensificação militar significativa. Em postagem nas redes sociais, Trump escreveu: “Uma civilização inteira morrerá esta noite, para nunca mais ser recuperada. Não quero que isso aconteça, mas provavelmente acontecerá”, acrescentando que “talvez algo revolucionariamente maravilhoso possa acontecer”.

O aviso ocorreu enquanto forças dos EUA e de Israel realizavam ataques contra alvos iranianos, incluindo pontos da Ilha de Kharg, principal terminal de exportação de petróleo do país, e o Irã respondia com disparos de mísseis sobre o Golfo Pérsico. Trump determinou um prazo até as 20h (horário do leste dos EUA) para um acordo, e afirmou que, se não houver entendimento, instalações energéticas, pontes e outras infraestruturas iranianas poderão ser destruídas.

O vice‑presidente JD Vance, em Budapeste, disse confiar que o Irã responderá até o prazo estabelecido. Trump também afirmou que o negociador Steve Witkoff e Vance participam das conversas de cessar‑fogo, e declarou que as negociações “estão indo bem” e que a reabertura do Estreito de Ormuz é “uma prioridade muito grande”.

Crime de guerra

As Nações Unidas alertaram que ataques indiscriminados à infraestrutura civil podem configurar crime de guerra. Trump afirmou não estar “nem um pouco” preocupado com essa possibilidade. O conflito já deixou mais de 5.200 mortos — a maioria no Irã e no Líbano — e atingiu instalações de energia na região.

Relatos apontaram explosões na Ilha de Kharg, segundo a agência semioficial iraniana Mehr. A Fox News informou que os EUA atingiram bunkers, uma estação de radar e depósitos de munição, além de danos não intencionais nos cais da ilha. A agência Nour News, ligada ao Irã, reportou duas mortes em ataque conjunto EUA‑Israel a uma ponte ferroviária próxima à cidade de Kashan.

Israel advertiu civis a não utilizarem a malha ferroviária até as 21h (horário local), um tipo de aviso que costuma preceder operações contra alvos em áreas civis. As Forças de Defesa de Israel relataram três ondas de mísseis iranianos desde a meia‑noite, com alvos em Tel Aviv e cidades vizinhas. O país aprovou a possibilidade de novas missões contra o Irã pelas próximas três semanas, se necessário, e também segue combatendo no Líbano contra o Hezbollah, grupo apoiado por Teerã.

Petróleo e economia

Os preços do petróleo recuaram parte dos ganhos, com o Brent negociado ligeiramente acima de US$ 110 por barril em Londres, enquanto investidores ponderam o risco de escalada frente a sinais contraditórios de tentativa de cessar‑fogo. O Irã advertiu que uma ofensiva contra sua infraestrutura energética levaria a retaliações que ampliariam a crise global de combustíveis.

Na madrugada de terça, a República Islâmica lançou sete mísseis balísticos e vários drones contra a Arábia Saudita; destroços de interceptações caíram perto de instalações energéticas, segundo autoridades sauditas, o que levou ao fechamento temporário de uma ponte que liga Bahrein e Arábia Saudita como medida de precaução.

Imagem: Divulgação

Teerã declarou que só permitirá a normalização do tráfego no Estreito de Ormuz após receber compensações pelos danos da guerra. A passagem pelo estreito, por onde costuma transitar cerca de um quinto das exportações mundiais de petróleo e gás natural liquefeito, foi reduzida quase a zero. Dois navios carregados com GNL do Catar chegaram a deixar o Golfo Pérsico na segunda‑feira, mas retornaram poucas horas depois após terem a passagem negada por autoridades iranianas, segundo traders.

O principal diplomata de Singapura, Vivian Balakrishnan, alertou que o impacto econômico do conflito pode piorar e que os mercados ainda não precificaram totalmente o pior cenário. Trump, por sua vez, afirmou que a opinião pública americana pressiona pelo fim do conflito e declarou: “Sou um homem de negócios antes de tudo”, questionando por que os EUA não poderiam usar o petróleo iraniano ao final da guerra.





O Irã pede o fim permanente das hostilidades, esforços de reconstrução, o levantamento de sanções e protocolos para garantir a navegação segura pelo Estreito de Ormuz, segundo a agência estatal IRNA. Um porta‑voz militar iraniano afirmou à mídia estatal que a ofensiva contra os EUA e Israel não será afetada pelas ameaças de Trump.

Trump iniciou a imposição de prazos em 21 de março para forçar a reabertura do estreito, prorrogando o ultimato em diversas ocasiões, e disse na segunda‑feira ser “altamente improvável” que estenda novamente o prazo. Ele também ressaltou que a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz deve constar em qualquer acordo.

O desfecho das negociações e as possíveis respostas iranianas ao ultimato permanecem incertos enquanto ataques e contra‑ataques continuam na sexta semana do conflito.

Com informações de Investnews