Pesquisas realizadas no sítio arqueológico de Gorham, em Gibraltar, indicam que os neandertais podem ter habitado as cavernas costeiras até entre 33 mil e 24 mil anos atrás, muito depois da data tradicionalmente aceita para o desaparecimento da espécie.
Descobertas em Gorham
Esculpido em falésias calcárias à beira do Mar Mediterrâneo, o complexo de quatro cavernas de Gorham reúne evidências de ocupação humana datadas de até 100 mil anos. Sem restos ósseos completos, o local preserva montes de conchas de mexilhões e fragmentos de ossos de golfinhos e focas, todos processados com instrumentos de pedra. Esses vestígios confirmam o uso sistemático de recursos marinhos pelos neandertais.
Nas paredes, gravações de linhas cruzadas têm mais de 39 mil anos e são interpretadas como expressões artísticas rudimentares, reforçando a hipótese de cognição avançada nesse grupo humano primitivo.
Outra evidência significativa é uma lareira de aproximadamente 60 mil anos usada para produzir alcatrão de bétula, uma cola primitiva essencial para a união de componentes em ferramentas complexas. Esse procedimento indica não apenas habilidade técnica, mas também a transmissão de conhecimento entre gerações.
Câmara secreta em Vanguard
Em 2021, arqueólogos localizaram uma câmara selada por sedimentos há pelo menos 40 mil anos na Caverna Vanguard, próxima a Gorham. No interior, foram encontrados restos de linces, abutres e a concha de um búzio marinho de grande porte, que dificilmente chegaria ao local sem a intervenção de hominídeos.
“Estas são descobertas empolgantes que abrem um novo capítulo da nossa rica história. Conhecendo bem a caverna Vanguard, muitas vezes me perguntei o que poderia haver por trás das areias. Agora estamos começando a ter um primeiro vislumbre”, afirmou o Dr. John Cortes, Ministro do Meio Ambiente, Sustentabilidade, Mudanças Climáticas e Educação de Gibraltar, em comunicado oficial.
Imagem: Divulgação
A soma das evidências sugiere que as cavernas de Gibraltar funcionaram como um possível último refúgio dos neandertais, em um período em que o Mediterrâneo exercia papel central na subsistência desses grupos. Se confirmada a ocupação até 24 mil anos atrás, esses hominídeos teriam sobrevivido milênios além da extinção apontada para cerca de 40 mil anos.
As investigações em Gorham e Vanguard continuam em curso, com escavações e análises laboratoriais voltadas para elucidar a extensão temporal e cultural dessa persistente presença neandertal na Europa Ocidental.
Com informações de Olhardigital

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6