A União Europeia lançou uma iniciativa que combina observação por satélite e inteligência artificial para melhorar o monitoramento dos oceanos. O projeto, incorporado recentemente a um plano maior de vigilância marítima, tem como objetivo fornecer dados detalhados a pesquisadores e gestores públicos sobre as mudanças no ambiente marinho.

O que é o EDITO

O principal produto da iniciativa é a plataforma European Digital Twin Ocean (EDITO), uma réplica digital do ambiente oceânico disponível gratuitamente na internet. Coordenado pela francesa Mercator Ocean International em parceria com o Flanders Marine Institute, o sistema agrega informações sobre temperatura, salinidade, correntes, ondas e aspectos biológicos, apresentadas por meio de mapas interativos e bases de dados consolidadas.

Segundo os responsáveis pelo programa, o EDITO opera em alta resolução e reúne múltiplos indicadores que permitem um retrato integrado das condições marinhas. A plataforma também oferece a capacidade de simular cenários futuros — por exemplo, como variações de temperatura podem afetar populações de peixes ou de que modo vegetação marinha em determinadas áreas influencia processos erosivos.

Como os dados são obtidos

Os principais insumos do sistema vêm de satélites europeus do programa Copernicus, componente de observação da Terra da União Europeia. Informações coletadas por embarcações distribuídas pelo globo complementam as imagens de superfície, providenciando medições diretas no ambiente marinho. A iniciativa também pode incorporar dados provenientes de cooperações internacionais.

Além das bases de dados e das simulações, a plataforma passou a oferecer um chatbot alimentado por inteligência artificial para responder perguntas sobre o oceano. A ferramenta foi apresentada durante a Digital Ocean Week, evento realizado em Bruxelas.

Integração e perspectivas

No início de junho, o EDITO foi integrado ao plano OceanEye, ampliando sua participação nas estratégias europeias de observação dos oceanos. Os responsáveis esperam que a plataforma atinja operação plena até 2030, reforçando tanto a produção de conhecimento científico quanto aplicações ligadas à segurança marítima.

Imagem: Divulgação

Alain Arnaud, diretor do programa de oceano digital da Mercator Ocean International, comentou que a evolução rápida da inteligência artificial exige adaptações constantes por parte da equipe do projeto, destacando a necessidade de acompanhar o ritmo das mudanças tecnológicas.





O sistema utiliza modelos digitais alimentados por dados reais e por algoritmos de IA capazes de alterar condições iniciais para gerar diferentes projeções do comportamento do ambiente oceânico, com o propósito de apoiar decisões sobre conservação e uso sustentável dos recursos marinhos.

Com informações de Olhardigital