Na quarta-feira (4), a agência da ONU para a infância, UNICEF, solicitou que governos de todo o mundo criem leis que tornem crime a produção de material de abuso sexual infantil gerado por inteligência artificial (IA). O apelo ocorre em meio ao aumento de casos de “deepfakes” e “nudificação”, em que algoritmos manipulam imagens de crianças para fins sexuais.
Aumento de casos e dados alarmantes
Em comunicado oficial, a UNICEF destacou que, nos últimos 12 meses, ao menos 1,2 milhão de crianças em 11 países relataram ter suas imagens alteradas para a criação de conteúdos sexualmente explícitos. A agência afirma que essa prática causa danos imediatos e reais às vítimas, exigindo respostas legais urgentes.
Além dos deepfakes — vídeos, áudios e imagens falsos que imitam pessoas de forma convincente —, a chamada “nudificação” tem ganhado força. Nessa técnica, softwares de IA removem ou modificam roupas em registros fotográficos, produzindo imagens falsas de nudez infantil.
Medidas propostas pela UNICEF
Para combater a prática, a UNICEF defende:
- Criminalização da criação e distribuição de conteúdo sexual infantil produzido por IA;
- Adoção de princípios de segurança desde a concepção dos sistemas de inteligência artificial;
- Investimento em tecnologias de detecção e moderação de conteúdo por parte de plataformas digitais.
Iniciativa do Reino Unido
Na mesma data, o Reino Unido anunciou planos para proibir o uso de ferramentas de IA que gerem imagens ou vídeos que sexualizem menores. Caso a legislação seja aprovada, o país se tornará o primeiro a tipificar especificamente essa conduta como crime.
Plataformas de IA sob escrutínio
Recentemente, a ferramenta de criação de imagens Grok, do laboratório xAI de Elon Musk, foi alvo de investigação após gerar representações sexualizadas de mulheres e menores. Segundo apuração da Reuters, o chatbot continuou produzindo esse tipo de imagem mesmo após alertas de usuários sobre a falta de consentimento das pessoas retratadas.
Imagem: Divulgação
Em resposta, no dia 14 de janeiro, a xAI informou que restringiu a edição de imagens no Grok e passou a bloquear, com base na localização dos usuários, a criação de cenas com figuras parcialmente nuas em locais onde isso é proibido por lei. A empresa também limitou certas funções de geração de imagens apenas a assinantes pagantes.
O debate sobre a regulação da inteligência artificial segue em pauta, enquanto a UNICEF reforça a urgência de medidas legais para proteger crianças do uso indevido de tecnologias de geração de conteúdo.
Com informações de Olhardigital

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6