Pesquisadores no Brasil desenvolvem e testam painéis solares capazes de gerar eletricidade a partir do impacto da água da chuva, empregando nanogeradores triboelétricos. A tecnologia, conhecida pela sigla TENG, transforma a energia mecânica das gotas em pulsos elétricos integráveis ao sistema fotovoltaico, permitindo produção mesmo sem incidência direta de luz solar.

Como funciona

O princípio usado pelos times de pesquisa envolve a aplicação de uma película polímera ultrafina sobre células solares convencionais. Quando uma gota de chuva atinge essa camada, ocorre eletrificação por contato — um processo semelhante à eletricidade estática — que provoca troca de cargas. Esse diferencial de potencial é capturado pelo nanogerador e convertido em corrente elétrica, que pode ser usada imediatamente ou armazenada.

O projeto NanoREAP, entre outros grupos acadêmicos, investiga esse arranjo híbrido para integrar a captação pluvial ao funcionamento dos painéis fotovoltaicos já instalados, sem necessidade de mudanças estruturais profundas.

Benefícios apontados

Entre as vantagens destacadas pelos pesquisadores estão a possibilidade de manter geração de energia durante períodos de chuva e nebulosidade e a transparência da película TENG, que não compromete a absorção de fótons em dias ensolarados. Assim, o sistema pode operar em diferentes condições climáticas, ampliando o aproveitamento dos recursos naturais disponíveis.

Outros benefícios mencionados incluem o uso de materiais poliméricos de baixo custo e recicláveis, a facilidade de adaptação em painéis já existentes e a redução de emissões ou resíduos poluentes por utilizar um fenômeno físico natural.

Viabilidade para residências

Pesquisadores afirmam que a adoção residencial é tecnicamente viável porque a instalação não exige intervenções estruturais extensas, funcionando como um complemento aplicável sobre módulos fotovoltaicos atuais. Embora a energia gerada por cada gota seja pequena, o volume de precipitação em tempestades tropicais pode resultar em corrente contínua e estável suficiente para complementar o abastecimento doméstico.

Imagem: Divulgação

Comparado a painéis tradicionais, o sistema híbrido TENG amplia a produção em condições de chuva, enquanto os módulos convencionais apresentam geração mínima ou nula nesses momentos.

Papel das universidades

Instituições de ensino superior conduzem testes em laboratórios de nanotecnologia para aprimorar materiais, buscando equilíbrio entre transparência e condutividade elétrica. Esses ensaios visam também adaptar a tecnologia às particularidades do clima tropical úmido, onde a densidade e o comportamento das gotas variam, e garantir certificações de segurança e durabilidade contra intempéries.

Impacto na matriz energética

Os desenvolvimentos podem contribuir para diversificar a matriz energética residencial, diminuindo a dependência da rede em episódios de seca ou nebulosidade persistente. Com a ampliação da produção em escala, pesquisadores estimam a possibilidade de incorporar a solução em projetos de edificações sustentáveis no futuro.

Com informações de Olhardigital