O encontro de dois dias entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e o líder chinês, Xi Jinping, em Pequim, terminou com imagens de cordialidade, mas com poucos acordos concretos, segundo relatos. A visita, realizada em meados de maio de 2026, valorizou o aspecto protocolar e simbólico, ao mesmo tempo em que deixou dúvidas sobre avanços em temas como o conflito no Irã, Taiwan e negociações comerciais.
Durante a cúpula, Trump elogiou a China e chamou Xi de grande líder. Xi recebeu o presidente americano com honras militares, acenos de crianças, um presente de sementes de rosa e um brinde. Apesar do tom amistoso, os resultados práticos foram limitados, cenário atribuído ao planejamento atribulado que antecedeu a viagem.
Vencedores
Xi Jinping — A postura conciliadora e a recepção cerimoniosa concederam a Xi um ganho político e propaganda doméstica. A afirmação do líder chinês sobre a criação de uma “relação construtiva, estratégica e estável” com os EUA teve repercussão, enquanto a Casa Branca relatou silêncio de Trump sobre algumas declarações de Xi.
Jensen Huang (Nvidia) — Apesar de inicialmente não constar na lista de executivos convidados, o CEO da Nvidia apareceu na comitiva após embarcar em Alasca durante reabastecimento e viajou com Trump e Elon Musk até Pequim. Trump mencionou os chips H200 durante o encontro e destacou que a China ainda não aprovou certas compras por buscar desenvolver tecnologia própria.
Visa — Trump apoiou a expansão da Visa na China e teria pressionado Xi a abrir o mercado local a cartões internacionais. O presidente citou dados do Banco do Povo da China: 10,2 bilhões de cartões em circulação no fim de 2025 e volume de transações de 963,6 trilhões de yuans (US$ 142 trilhões) no ano anterior.
Irã — Na avaliação pública, foram reiteradas posições contrárias a armas nucleares iranianas e favoráveis à manutenção do Estreito de Ormuz aberto, além da promessa de que Pequim não venderia equipamentos militares ao Irã. Esses compromissos públicos, contudo, contrastaram com a ausência de referências diretas ao Irã nas declarações oficiais chinesas sobre a cúpula.
Perdedores
Taiwan — O comunicado conjunto não mencionou Taiwan, enquanto Pequim adotou tom mais duro, alertando para risco de conflito relacionado à ilha. Trump disse ter ouvido a posição de Xi, mas afirmou que não assumiu compromisso e afirmou que “a última coisa de que precisamos agora é de uma guerra a 9.500 milhas de distância”. O presidente também declarou que decidirá em breve sobre uma possível venda de armas de US$ 14 bilhões para Taiwan.
Imagem: Divulgação
Boeing — Havia expectativa de um pedido chinês de até 500 aeronaves. No fim, Trump anunciou um compromisso inicial de 200 aviões — acima da expectativa declarada de 150 da Boeing, segundo ele —, número que ficou aquém das projeções iniciais e levou ações da empresa a recuarem. Trump também disse que a China poderia comprar até 750 aviões no futuro, se os primeiros pedidos forem bem-sucedidos.
Republicanos no Congresso — A promessa de acordos agrícolas e comerciais para fortalecer aliados antes das eleições de meio de mandato enfrentou prazos e incertezas. A suposta redução de tarifas sobre cerca de US$ 30 bilhões em produtos não estratégicos exigirá meses de trâmites administrativos, e compras agrícolas de dezenas de bilhões de dólares seriam negociadas ao longo de três anos, com algumas operações, como a soja, previstas para o outono.
Serviço Secreto e a imprensa — Incidentes envolvendo repórteres e agentes americanos marcaram a visita. Jornalistas chineses invadiram uma sala de reunião bilateral, atingindo um funcionário dos EUA; no Templo do Céu, um agente do Serviço Secreto foi impedido de entrar por estar armado. Em outro momento, autoridades chinesas retiveram a imprensa em um prédio próximo, e profissionais da mídia correram para alcançar a comitiva americana, gerando ampla cobertura negativa nos EUA.
Trump descreveu a viagem como bem-sucedida, ainda que muitos dos acordos e promessas anunciadas requeiram etapas adicionais para serem concretizados. Ele também afirmou ter discutido com Xi o caso do jornalista Jimmy Lai, recebendo do líder chinês a resposta de que sua libertação seria “algo difícil”.
Com informações de Infomoney

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6