Alphabet se aproxima do topo global impulsionada por avanços em inteligência artificial

A Alphabet, controladora do Google, avançou nos últimos meses de coadjuvante em inteligência artificial para uma posição dominante em diversos segmentos da tecnologia, aproximando-se de ultrapassar a Nvidia como a maior empresa do mundo em valor de mercado.

Na última sexta-feira, a Alphabet fechou com valor de mercado de US$ 4,8 trilhões, enquanto a Nvidia, após três dias consecutivos de alta no fim da semana, atingiu US$ 5,2 trilhões. Há seis meses, em 31 de outubro, a Nvidia valia US$ 4,9 trilhões e a Alphabet estava abaixo de US$ 3,4 trilhões.

Desde então, as ações da Alphabet subiram 43%, ao passo que as da Nvidia avançaram 6,3%. Entre os impulsionadores dessa valorização está o forte desempenho das ações da Alphabet em abril, com alta de 34% — seu melhor mês desde 2004.

Analistas e gestores consultados apontam que a amplitude dos negócios da Alphabet torna plausível que a empresa assuma o posto de maior companhia global. “A Alphabet ocupa uma posição relevante em quase todos os cantos do ecossistema de IA, e a combinação de tudo o que oferece a coloca em uma posição privilegiada para ser a maior vencedora da IA”, disse Luke O’Neill, diretor de investimentos da CooksonPeirce Wealth Management, que tem participação em Alphabet e Nvidia.

Além de ser líder em serviços como Google Search, Google Cloud e YouTube, a Alphabet desenvolveu o modelo Gemini e investe na Anthropic, autora do modelo Claude. A empresa também produz TPUs (unidades de processamento tensorial) voltadas para inteligência artificial, que se tornaram atrativos para clientes e em breve estarão disponíveis para uso direto em data centers de clientes do Google Cloud, disse o CEO Sundar Pichai.

Projeções de mercado citadas em relatórios apontam potencial de receita relevante com essa infraestrutura: o analista Andrew Boone, do Citizens, estimou US$ 3 bilhões em receita de TPUs em 2026 e US$ 25 bilhões em 2027, em relatório a clientes de 5 de maio.

Investidores destacam também a diversificação da Alphabet como vantagem frente à Nvidia, cuja liderança concentra-se na fabricação de chips de IA. “A Alphabet simplesmente tem tudo o que você quer, e é por isso que todo mundo se sente tão confortável em ter o papel, porque há muitas formas de ganhar com IA”, afirmou Divyaunsh Divatia, analista de pesquisa na Janus Henderson Investors.

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A temporada de resultados reforçou esse movimento: a Alphabet reportou crescimento acima do esperado em busca e nuvem, além de sinais de incremento de demanda por suas TPUs. Esse impulso levou analistas a elevarem estimativas de lucro; a projeção consensual para o lucro líquido da Alphabet em 2026 subiu cerca de 19% no último mês, e as expectativas para 2027 cresceram mais de 7%, segundo dados da Bloomberg.

Apesar do otimismo, analistas ressaltam riscos. O preço-alvo médio para os próximos 12 meses é de cerca de US$ 422, apenas 5,4% acima do fechamento de sexta-feira, e o papel já avançou 160% nos últimos 12 meses. As ações da Alphabet negociam a 28 vezes o lucro estimado — acima da média dos últimos dez anos, próxima ao maior múltiplo registrado desde 2008 — o que expõe o ativo à volatilidade caso modelos concorrentes superem o Gemini ou se o sentimento do mercado mudar.

A Alphabet já ocupou a posição de maior ação do mercado no início de 2016, quando superou brevemente a Apple. Na sexta-feira, a Apple vinha a US$ 4,3 trilhões, seguida por Microsoft com US$ 3,1 trilhões e Amazon com US$ 2,9 trilhões. A Berkshire Hathaway comprou participação na Alphabet no ano passado, numa rara aposta do grupo em tecnologia, o que também é citado por investidores como um endosso à empresa.

A trajetória recente coloca a Alphabet na dianteira entre as big techs na era da IA, sustentada por múltiplos negócios que se beneficiam da adoção crescente da tecnologia.

Com informações de Infomoney